Eu odeio Ele

Eu odeio Ele – A escolha

“Uma pessoa imatura pensa que todas as suas escolhas geram ganhos. Uma pessoa madura sabe que todas as escolhas têm perdas.” – Augusto Cury

Se um dia você me perguntasse qual era o meu maior desejo, com certeza minha resposta seria: liberdade. Tudo o que eu mais queria era ser livre para fazer minhas próprias escolhas e viver minha vida de uma maneira que no futuro eu tivesse muitas histórias para contar.

Hoje, se você me perguntar qual o meu maior desejo, eu respondo, sem pestanejar: voltar no tempo e jogar a liberdade que eu consegui no abismo mais profundo, que para muitos é o inferno.

Não me entenda mal, eu gostei de ser soberana no meu próprio reino, o arrependimento só veio quando as consequências das escolhas chegaram.  

Mas por enquanto não vamos falar disso. Aconteceram muitas coisas até eu ser prisioneira do meu caminho. Consegui várias histórias para contar, daria até para fazer um livro, só não tenho certeza se o final seria tão feliz quanto eu esperava.

Permita que eu te guie pelas páginas da minha vida…

Dizem que o aniversário de 15 anos é um marco na vida das meninas, eu nunca entendi isso, sempre ficava pensando o que acontece de tão diferente nessa idade, até eu chegar nela.

Não quis festa, contrariando todos os sonhos da minha mãe, que desde os meus 10 anos sonhava em me vê dançando valsa com meu pai. Como não sei dançar não me senti mal em frustra-la, era isso ou ser envergonhada diante de todos os meus amigos.

Meus pais não gastaram dinheiro com as ostentações de um aniversário e isso aumentou mais ainda a sensação de independência que eu comecei a sentir à meia-noite do dia 10 de março.

Na manhã seguinte, enquanto tomávamos café da manhã, eu disse que queria ir pra escola sozinha. Era algo simples, mas foi o primeiro passo rumo a minha liberdade, e assim fui gradativamente saindo do controle dos meus pais.

Comecei a matar aula para ficar com os amigos ou para ter algum encontro. Claro, tudo escondido, já que meus pais sempre foram pessoas conservadoras, e já implicavam naturalmente com qualquer amiga que não fosse a Clara, mal sabiam eles que ela era quem mais queria que eu saísse da linha.

Depois de um mês, só faltava uma coisa para que eu tivesse ilusoriamente o total controle de minha vida (digo ilusoriamente porque é impossível uma garota de 15 anos que mora com os pais e é sustentada por eles ter domínio total sobre si): deixar claro para minha família que eu não queria mais ir à igreja que eles frequentavam.

Meu pai e minha mãe são cristãos, então desde muito nova vou à reuniões desse meio. (Eu gostava. Adorava as histórias que contavam de Jesus na escolinha.) Cresci ouvindo sobre como eles sofriam antes de conhecer Jesus e de como Ele mudou suas vidas.

Quando eu era mais nova essas histórias me fascinavam, mas depois entendi que tudo não passava de uma manipulação. Meus pais queriam me controlar e achavam que só conseguiriam isso se colocassem em minha cabeça que “só está seguro quem faz a vontade de Deus” ou que “o Todo poderoso sabe o melhor para cada um de nós”.

O mais engraçado disso tudo é que um versículo na Bíblia que sempre me chamou atenção é o que fala sobre o livre e arbítrio, comecei a me questionar sobre a bondade de Deus, já que supostamente podemos fazer o que desejamos, mas só estamos livres do “mal” quando fazemos as coisas do jeito Dele.

–Pai, estou indo à uma festa com a Clara. – Falei em uma tarde qualquer, logo antes do jantar. Eu demonstrava coragem e firmeza, mas por dentro estava morrendo de medo de ser barrada. 

Para minha surpresa, ele só perguntou onde seria e com quem eu ia. Respondi e dei as costas, não queria correr o risco de mais perguntas surgirem e assim eu acabar em uma festa solitária no meu quarto.

Quando eu já estava na porta, meu pai me chamou.

–Filha, – virei com medo do tom de voz paternal que antecede uma bronca – eu não vou poder te controlar a vida toda, você já pode fazer suas próprias escolhas, mas não esqueça que as consequências também serão suas.

Tive vontade de chorar. Naquele momento algo se rompeu entre nós. Meu pai estava me deixando viver, estava me tirando de suas asas e por alguns segundos tive medo de não saber voar.

Olhei pra minha mãe, que por um milagre assistia a cena sem palpitar, e pela primeira vez vi a tristeza em seus olhos. Uma lágrima desceu e acredito que naquele momento ela percebeu que sua filha não era mais a garotinha que pedia a opinião dela até pra roupa que ia vestir. Tenho certeza que minha mãe se perguntou aonde perdeu o controle sobre mim.

Clique aqui para ler o capítulo 1 😉

 

PS: Quem, assim como Priscila, já quis se libertar de amarras ideológicas ou poder simplesmente fazer suas próprias escolhas?

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11 comentários em “Eu odeio Ele – A escolha

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