Eu odeio Ele

Eu odeio Ele – Capítulo 5

Antes de tudo, quero pedir desculpas por não ter por postado ontem o capítulo 5, mas vamos seguindo 😉

Se você não leu algum capítulo anterior, é bom voltar na página principal e ler o que faltou.

Vamos lá 🙂

Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, {…} E disse Sansão a seu pai: Toma-me esta, porque ela agrada aos meus olhos. (Juízes 14:3)

 

Se você me perguntar se eu já quis ser atriz a resposta será um sonoro não. O máximo que eu já fiz em uma peça foi quando eu tinha 6 anos e fui obrigada a participar de uma apresentação na minha escola sobre a história de João e Maria. A garotinha que seria a protagonista quebrou o pé e eu tive que substituí-la.

É claro que existiam outras alunas pra fazer isso, mas minha mãe queria muito que eu desenvolvesse uma paixão por teatro, já que seu sonho sempre foi ser atriz, e combinou com a professora de me colocar no papel.

Foi o dia mais vergonhoso da minha vida. Eu não lembrei de nenhuma fala e se não fosse o ‘João’ repetindo que iria me bater caso eu não acertasse, tinha caído na hora do espetáculo e fingido um desmaio.

Hoje, continuo sem um pingo de vocação pra encenar. E isso ficou ainda pior quando me deparei vivendo na minha vida um verdadeiro roteiro de novela.

E pra piorar ainda mais a situação, aqueles roteiros água com açúcar em que a mocinha foge com o amor da sua vida. Tudo bem que eu não conhecia direito o garoto que estava pilotando a moto a 200 km\h, mas era assim que eu me sentia. Uma mocinha, só que ao contrário da novela, eu estava fugindo com o vilão.

Enquanto o vento tocava meu rosto e fazia meu cabelo voar por entre o capacete comecei a pensar sobre o momento exato que perdi o controle de tudo. Eu só queria curtir e viver minha vida, por qual motivo fui parar na garupa de uma moto segurando a cintura de um cara que só estava me ajudando pra se vingar do amigo?

De repente um pensamento me ocorreu: eu não sou ateia, e mesmo fazendo escolhas contrárias aos ensinamentos que cresci ouvindo, eu continuava acreditando em Deus.

E se o problema estivesse justamente Nele? E se no dia em que ignorei Seus princípios tenha causado uma revolta no campo celestial ao ponto da ira Dele se voltar contra mim?

Era um pensamento absurdo, mas eu estava completamente perdida, e não fazia ideia de como encarar àquela situação. Não era uma explicação lógica, mas foi a única que consegui formular.

Meus pais sempre me disseram que Deus é bom, mas e se Ele, assim como o Fumaça, fosse vingativo? Na Bíblia existem várias histórias de tensão entre o Senhor e “seu povo”, conflitos que nunca entendi.

Se Ele é tão misericordioso porque permitia que as pessoas sofressem sempre que O rejeitavam? Chegar àquela conclusão me deu medo. Se eu estivesse certa, então devia me preparar, porque eu não estava fugindo apenas com o vilão, eu tinha me tornado nociva as artimanhas de Deus.

– Você precisa dormir, a viagem vai ser cansativa. – O Fumaça advertiu, uma hora mais tarde, quando já estávamos em um hotel de beira estrada. Eu não tinha prestado atenção nas placas, mas pelo o que ele falou, a alguns quilômetros estava a cidade de Tatuapé.

– Não consigo. – Respondi melancólica, não só por toda a situação, mas porque o sol já estava prestes a nascer e eu odeio quando isso acontece e eu estou acordada. A sensação de nostalgia e melancolia é horrível.

– Ficar pensando nos seus pais só vai piorar tudo. Precisamos nos concentrar em nos manter vivos. – Ele falou como se meus pais não fossem mais tão importantes quanto eram quando estava tentando me convencer.

– Você tem ideia do quanto eles vão enlouquecer quando chegarem do trabalho e perceberem que eu não voltei da escola, e nem liguei o dia inteiro!

– Se você tivesse me ouvido teria deixado um bilhete. – O desdém em sua voz me deixou ainda mais irritada.

– Eu não sou esse tipo de garota! Eu posso não concordar sempre com eles, mas largar tudo sem dá nenhuma satisfação não é minha praia!

– Fala baixo! – Pela primeira vez ele olhou pra mim, desde que saímos do meu quarto. Eu estava em cima da única cama de solteiro, e ele no chão, mas mesmo a posição superior não impediu que um arrepio percorresse meu corpo diante do seu olhar frio e de sua voz grossa.

Eu não queria que ele percebesse a reação que tinha causado, então respondi, com a voz mais firme que consegui:

– Seria bom você falar comigo direito, nenhum de nós dois queremos que eu desista dessa ideia maluca e peça socorro pra primeira pessoa que encontrar. – Como eu disse antes, nunca fui uma boa atriz. Essa ameaça não saiu no tom que eu queria, mas mesmo assim, ele fingiu acreditar e se deitou novamente.

Alguns minutos depois eu chorava silenciosamente imaginando o desespero dos meus pais, quando ouvi a mesma voz agradável do inicio da noite:

– Vou dá um jeito de você ligar pra eles.

Eu não respondi. Sabia que não podia confiar nas promessas de um desconhecido que não se importava de verdade comigo ou com minha família.

Eram quase 6 horas da manhã quando um barulho nos fez despertar no susto.

– O que foi isso, Fumaça?

– Precisamos sair daqui! – Ele já foi logo pegando nossas poucas coisas, eu o imitei.

– Mas por onde? – Olhamos em volta do quarto e não vimos uma solução, mas o outro chute na porta, nos fez enxergar a janela.

– Vamos pular, é a única saída.

– De jeito nenhum! – O quarto ficava no primeiro andar, mas mesmo assim eu sabia que me espatifaria.

– Você vai morrer sozinha! – Como podia pensar na possibilidade de me deixar sozinha?

– Nem pense em deixar! – Seu braço em frações de segundos se desvencilhou da minha mão quando junto com um chute veio um grito:

– Abre essa porta agora, garoto!

Mesmo tendo escutado poucas vezes, eu jamais esqueceria a voz do Toddy, e com toda certeza não era aquela.

Continua…

Quem você acha que está querendo invadir o quarto? Se não é o Toddy, quem será?

Venha descobrir na próxima terça-feira (3), às 20h.

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