Eu odeio Ele

Eu odeio Ele – Capítulo 6

Hey, pessoal! Vamos a mais um capítulo dessa aventura?

(Não esqueça de ler os capítulos anteriores, caso ainda não tenha lido 😉

 

“Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau.” (Provérbios 13.20)

– Quem está na porta, Fumaça?

– Não quero descobrir! – Quando disse isso, não se passaram nem dois segundos e ele pulou.

Eu não conseguia acreditar que ele tinha me deixado, de repente o medo foi substituído por uma raiva impetuosa e eu que quis, por alguns segundos, que o cara da porta o pegasse. Mas isso passou assim que o quarto foi invadido e eu ainda estava no dilema de pular ou não.

– Vem logo, garota. – O Fumaça gritou, já com o motor da moto ligado.

– Se você pular vai ser pior, princesa. – A voz soou ameaçadora atrás de mim, e eu não esperei pra descobrir se falava a verdade ou não. Meu instinto de sobrevivência falou mais alto do que o medo de se quebrar.

Nem tive tempo de avaliar a forma como encontrei o chão, ignorei a dor e o sangue que emanavam do meu joelho e corri pra moto.

O cara ficou nos xingando, mas não demorou muito até repetir a nossa ação.

A moto logo estava a todo vapor, e corríamos como se estivéssemos em uma corrida, e deixar os outros competidores passar um milésimo da gente, fosse custar a nossa vida. O que não era de todo uma mentira.

Eu não olhei pra trás uma vez sequer, porém podia sentir que ele estava nos seguindo. A paisagem, as placas, os outros carros, tudo passou despercebido. Se o Fumaça batesse, eu só perceberia depois de já está no chão, talvez morta.

Chegamos a uma parte da estrada que estava em obras, então tinha alguns veículos provocando engarrafamento. Isso estava no topo das 10 coisas que mais me irritam na vida, e é um dos motivos para eu não almejar, como tantas pessoas, tirar a carteira de habilitação. Mas naquele momento agradeci.

Por conta da moto, conseguimos passar entre eles, mas o cara teve que parar e pude imaginar seu ódio.

– Vamos ter que abastecer. – O Fumaça anunciou, depois que percorremos uns 5 quilômetros.

– É mesmo necessário? – Eu temia que parar significasse nossa morte.

– Estamos ficando sem gasolina, se ignorarmos o próximo posto, corremos riscos maiores.

Chegamos a um posto Ipiranga e a fila estava grande. Devia ser o único nas redondezas. Enquanto esperávamos, comecei a digerir o que tinha acontecido.

– Essa foi por pouco, – minha voz ainda estava ofegante e meu coração a mil – quem era aquele cara, Fumaça?

– Com certeza o Toddy descobriu onde estávamos e mandou ele atrás da gente. – Ele respondeu, com a voz não muito diferente da minha. Dava pra ver que também continuava nervoso.

– Assim, tão rápido?

– Ele não trabalha sozinho, Priscila. – Ao falar isso seu rosto ficou sombrio e me perguntei se realmente estava falando do amigo. O olhar profundo voltado pro chão me fez pensar se tinha uma terceira pessoa envolvida, alguém que eu devesse temer mais do que ao Toddy.

– Temos que sair daqui o mais rápido possível, ele não vai dá esse vacilo de novo.

Eu ia responder alguma coisa, mas de repente não consegui. Lágrimas corriam pelo meu rosto, e os soluços pareciam arrancar minha garganta.

– Para com isso, garota, todo mundo tá olhando pra gente. Vão pensar que te bati. – Sua voz voltou a ficar dura, e sua mão apertando minha coxa deixou claro que era uma ordem. O que só me fez chorar mais ainda. – Priscila, pelo amor de Deus, você quer nos ferrar mais ainda?

Antes que outro aperto na minha coxa aumentasse as lágrimas, eu o abracei por trás. O gesto o endureceu e o deixou sem palavras. Não era minha intenção, eu só não queria que as pessoas pensassem que ele tinha me agredido, ou algo do tipo. Eu não podia piorar tudo.

A fila andou e eu continuei grudada nele. Enquanto o frentista abastecia, tentava fazer algum contato visual comigo pra saber se devia me socorrer.

– Ela torceu o joelho. – O Fumaça tentar explicar, mas sua falta de coragem pra encarar o funcionário e todas as outras pessoas no posto, entregava a mentira. – Fica calma, Pri, vamos parar no próximo posto médico. – Na tentativa de amenizar a cena, ele desceu da moto e me virou de lado.

– Eu … E.. Eu – Murmurei e cai em seu pescoço, foi minha vez de ficar surpresa: ele me abraçou.

– Vai ficar tudo bem, garota. – Apesar do tom de voz distante e seco, seus braços eram aconchegantes e seguros. Eu estava apavorada. Não fazia nem dez horas que eu tinha fugido e mais pareciam anos.

Um buraco se instalou no meu peito, e aquela sensação era nova e assustadora. Eu não sabia como reagir. Pensar em meus pais só aumentava o vazio, e imaginar aquele cara nos encontrando de novo fazia minha mente ficar turva.

Eu estava assustada e não tinha ninguém pra me acalmar. Eu não confiava no Fumaça, e por mais que seus braços tentassem passar segurança, a distância que ele mantinha do meu corpo diziam outra coisa.

Ele não estava do meu lado. Na primeira oportunidade que teve me deixou pra trás sem pensar duas vezes. Tudo o que fazia e decidia era pensando em se vingar e conseguir a própria liberdade, nem que isso custasse a minha.

– Bebe, Pri, vai te deixar melhor. – Passei cinco segundos pra entender que um copo de água com açúcar estava sendo me oferecido. Quis recusar, mas a cara de preocupação do frentista me forçou a tomar.

Seguimos viagem até chegarmos à entrada de Monte Alto e um Siena preto parado na estrada me chamou atenção.

– Fumaça…

– É meu amigo, vamos ficar escondidos por uns dois dias na casa dele. Ele é assustador, mas não precisa ter medo.

– Bela forma de caracterizar alguém. – Debochei, em uma tentativa fracassada de parecer despreocupada.

– Você quer comer alguma coisa? – A pergunta me pegou desprevenida. Parecia que tinha se passada décadas desde que eu tinha colocado alguma coisa na boca.

– Hum rum. – Percebi que estava morrendo de fome.

– Come. – Praticamente jogou o biscoito em cima de mim.

Era daquele tipo água e sal. Em casa eu só como com algum recheio, mas naquele momento percebi que tinha sorte de ao menos ter o biscoito.

***************************************************************************************

– A Clara acabou de me contar o que aconteceu, Antônio, como vocês estão?

– Preocupados. Não temos noção de onde ela se meteu, nem o porquê fez isso. – O pai de Priscila estava desconsolado, ele não fazia ideia do que tinha motivado a atitude da filha.

– O que dizia no bilhete?

Antes mesmo do amigo entregar o pedaço de papel, Wilson já tinha tomado da mão dele.

“Pai, estou indo embora. Conheci uma pessoa há um tempo e estou apaixonada. Sei que o senhor e a mamãe nunca aceitariam esse namoro, por isso vou passar um tempo fora de casa.

Não se preocupem, estou bem.

Mando notícias.

Beijos, Pri.”

Wilson encarava as letras sem saber o que dizer ao amigo. Ele podia imaginar a dor que estava sentindo, afinal de contas, Priscila cresceu junto com Clara, eram praticamente irmãs.

– Vocês já ligaram pra todos os amigos dela?

– Ainda não. A Clara está ajudando a Sônia com isso, mas não tenho muitas esperanças, algo me diz que minha filha está longe.

Wilson não podia confirmar isso ao amigo, mas tinha a mesma sensação.

– Pelo menos sabemos que o pior não aconteceu, já que ela não está em nenhum hospital da região.

– Estou indo à rodoviária, você me acompanha?

Sem responder, Wilson o seguiu e por trás de Antônio criou coragem para fazer a pergunta que tanto queria:

– Você não acha que ela descobriu alguma coisa sobre…

– Não, não. – Antônio interrompeu, sabendo do que o amigo de anos estava falando. – Chegamos a pensar nessa possibilidade, mas ninguém sabe disso. A Sônia escondeu todas os documentos daquele tempo, então essa hipótese está fora de questão.

– Então só nos resta torcer para que ela fique bem e volte logo.

– É o que eu estou pedindo a Deus. Tenho certeza que Ele vai cuidar dela.

Continua…

Espero você aqui na próxima terça-feira (10) para descobrir quem é esse amigo to Fumaça tão assustador….

PS: Você percebeu que o pai de Priscila esconde um segredo?

 

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