Eu odeio Ele

Eu odeio Ele – Capítulo 8

Olá pessoal! Mil desculpas por não ter postado na semana passada, isso não irá mais acontecer (promessa de dedinho rs)!

Onde paramos mesmo? Ah! O Fumaça tinha feito alguma coisa com a Priscila, vamos descobrir o que foi…

*****

“Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.” (Efésios 6:4)

O Fumaça segurou meu braço (apertou tão forte que na hora senti ficar roxo, devido a minha cor amarelada) e foi me empurrando casa à dentro. O gesto foi tão brusco que ele parecia estar lhe dando com um cachorro.

O ódio tomou conta de mim. Meu corpo inteiro ardeu em chamas e eu estremeci. No momento em que ele me jogou na sala da casa, eu tombei, mas não pestanejei quando lhe chutei bem no meio das pernas.

Ele não esperava o golpe, e não pude ignorar a sensação de prazer quando seus olhos quase saltam da órbita.

Antes que ele pudesse raciocinar novamente e formular algumas palavras, uma senhora simpática apareceu.

– Olá, crianças. – Era impossível ela não ter visto o que tinha acabado de acontecer, mas por algum motivo fingiu que não viu. Sua voz agradável encheu o ambiente, e ela era tão baixinha que parecia ter sido feita do tamanho ideal pra casa. Foi naquele momento que eu consegui observar tudo.

A sala não era muito grande, e disputava espaço com a cozinha. Os móveis estavam todos próximos e, mesmo assim o lugar era organizado.

– Está tudo bem, Fumaça? – Fiquei com dúvida sobre as intenções da sua pergunta. Não consegui decidi se ela estava tentando avaliar se eu era o perigo, ou se já sabia quem era o Fumaça e, além de entender o que eu tinha feito, estava querendo mostrar quem mandava ali.

– Hum rum… – Ele murmurou se jogando no sofá e colocando uma almofada sobre suas pernas.

– Meu nome é Dóris, pode ficar à vontade, querida. – Senti, pelo jeito aconchegante como se dirigiu a mim, que ela estava do meu lado.

– Obrigada, prometo não incomodar. – Lembrei de todas aulas que minha mãe me deu, sobre como se comportar na casa dos outros.

– A casa é simples e pequena, mas tem um quarto só pra vocês.

Pior do que tudo o que estava acontecendo era alguém pensar que éramos namorados.

– Não queremos incomodar.

– Não se preocupe, querida, será uma prazer receber vocês. Podem ficar pelo tempo que precisarem. – Era difícil identificar se aquela educação toda era real.

Ao contrário do filho, aquela senhora pareceu ser um amor de pessoa. Ela era simpática, tranquila e agradável, mas diante da situação, eu tinha que desconfiar até de uma borboleta.

Estávamos os quatro na mesa, cada qual colocando sua quantidade de sopa, que por sinal tinha um cheiro delicioso, quando pela primeira vez, desde que entrei em sua casa, o Dan resolveu falar.

– Tá gostando da casa da minha mãe, Priscila? – Dava pra vê que ele queria agradar ela, mas nem assim, conseguia parecer com uma pessoa normal.

Fingi que não ouvi e dona Dóris interviu.

– Um lugar tão apertado, você deve tá estranhando.

– É uma casa muito agradável. A senhora cuida muito bem de tudo. – Elogiei com sinceridade e o sorriso que ela deu me fez pensar que há muito tempo não ouvia algo assim.

– De onde você é?

– Sou de São Paulo, nasci e cresci lá. – Era muito fácil conversar com ela. Por alguns momentos eu consegui esquecer os dois abutres na mesa.

– Eu já fui lá, uma vez, assim que casei. Meu marido me deu a viagem em comemoração ao nosso primeiro ano de casamento. – Disse nostálgica e com um olhar distante.

– Ex-marido, mãe! Quando você vai aceitar que ele não está mais com você?

A forma como o Dan falou com dona Dóris foi tão fria e dura que despertou o Fumaça do transe que ele estava – não tinha dado mais de duas colheradas na comida e olhava fixamente pra colher – e trocar alguns olhares comigo.

– Eu sei, filho, foi só um deslize…

Minha vontade era defendê-la e dizer que não precisava abaixar a voz e a cabeça pro filho, mas se ele gritava com a própria mãe, o que poderia fazer comigo?

– Você sempre dá esses “deslizes”, – ele falou a palavra assim, entre aspas, pra deixar claro que a desculpa dela não colava mais – cuidado pra um dia não ser fatal.

O Dan se levantou da mesa, deixando o clima tão pesado quanto uma cadeira.

– Meu filho não gosta de ouvir nada sobre o pai… – começou a explicação, quando pro meu alívio o Fumaça interrompeu.

– Não precisa falar nada pra Priscila, Dóris. – Então ele já conhecia a história, fiz um lembrete mental para depois pedir para que me contasse.

– Ele foi embora quando o Dan ainda era muito pequeno. – Continuou me encarando, era como se precisasse justificar a grosseria e a falta de respeito do filho. Mas o Fumaça estava certo, eu não queria saber, não por ela. Era uma situação muito desconfortável, e eu não queria que ela passasse por isso, não pra me explicar.

– Por isso a revolta. – Conclui pra dá um fim na conversa.

– O meu filho sempre foi assim, mas depois que se sentiu abandonado pelo pai, ficou pior. Nem todo o amor que eu dei supriu a falta.

Ela se levantou, e mesmo sem termos acabado a sopa, tratamos de fazer o mesmo.

– Dóris, vou pro quarto, estou morto de cansado, valeu pelo jantar.

– De nada, querido.

– Eu ajudo a senhora com a louça. – Me ofereci, mais por educação, a última coisa que eu queria era fica só com ela depois daquela cena, e pra minha sorte ela recusou:

– Não precisa, minha filha, vá descansar também. – Nem passou por minha cabeça insistir.

Continua…

Na próxima terça-feira (31), ás 20h, sai o próximo capítulo. Aguardo vocês!

PS: O que você acha que Priscila deveria fazer: aproveitar a noite pra fugir ou confiar que o Fumaça irá protegê-la? Me conte nos comentários 😉

 

 

 

 

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