Eu odeio Ele

Eu odeio Ele – Capítulo 13

“O tolo cruza os braços e destrói a própria vida..” (Eclesiastes 4:5)

– Priscila, não fica assim… 

Não conseguia falar, só sabia chorar, e convenhamos que eu tinha motivos de sobra para isso.

– Prome… promete que você não deixar el.. ele me pegar… – Supliquei.

Ele não prometeu, respondeu com um abraço e me deixei ser acolhida por seus braços. Por incrível que pareça, consegui encontrar alguns segundos de tranquilidade.

Ele me abraçava forte e alisava minhas costas, sem que dissesse uma palavra conseguiu com eu entendesse a mensagem.

O Fumaça não podia prometer, estava além da capacidade dele, mas pelo menos tentaria, se não fosse por mim, seria por ele. Naquele momento isso bastou.

– Você vai ficar bem… – Me afastou delicadamente e segurou meu rosto com as duas mãos, enxugando minhas lágrimas.

Abri a boca para responder qualquer coisa, mas seu olhar me silenciou. Aqueles olhos tristes e sinceros me faziam esquecer qualquer dor. Era como se a dele fosse maior do que a minha.

Como o Fumaça tinha ido parar naquela vida? Ninguém nasce querendo ser o monstro que destrói sonhos, a não ser que tenham destruído os dele primeiro…

– Você é linda, sabia?

A pergunta totalmente fora de contexto mexeu com o meu foco. Eu estava tão concentrada no seu olhar que não percebi que ele me observava e quando abri a boca para dizer que elogios não iam me fazer esquecer quem ele era, o inesperado aconteceu.

Quando dei por mim a boca do Fumaça já estava dançando em um ritmo perfeito com a minha. De inicio senti uma estranheza, o ritmo lento não combinava com as palavras duras e diretas que costumavam sair daqueles lábios, a delicadeza com que ele me beijava não lembrava nada os rompantes de raiva que tínhamos.

Apesar de tudo isso, senti sua língua tentando encontrar a minha e isso acendeu todas as células do meu corpo.

Eu não podia negar que o Fumaça era bonito e charmoso. Mesmo com todo o ar maldoso que carregava, tinha um jeito travesso de quem estava escondendo o jogo, e que na verdade era apenas uma pessoa necessitando de atenção.

Suas mãos encontraram meu pescoço o que instantaneamente fez com que as minhas procurassem suas costas. Eu o queria mais perto de mim. Desde que sai de casa, aquele era o único momento em que minhas emoções estavam oscilando, mas não de medo.

O beijo ficou mais intenso e necessário, o que me deixou sem fôlego.

– O que foi? – A voz ofegante mostrava que ele também precisava de ar.

Não respondi, coloquei sua minha boca novamente na sua e a automaticamente senti uma mão apertando minha cintura.

Quando o beijo passou dos meus lábios para o pescoço, e uma eletricidade percorreu cada centímetro do meu corpo, eu vi que era hora de parar.

– Chega… – Murmurei.

– Tem certeza? – Sussurrou no meu ouvido. Senti um calor.

– Por favor, Fumaça, estou muito cansada. – Me afastei sem querer de verdade ir deitar, tentei me convencer de que parar era a escolha certa. Se nos beijássemos de novo, logo após ele ter encontrado meu pescoço, eu não teria mais nenhuma condição de ir dormir.

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