Eu odeio Ele

Eu odeio Ele – Capítulo 14

Oiii pessoas! Hoje resolvi postar mais cedo 😉 Espero que tenham gostado dessa surpresa!

15 anos antes

A noite estava fria como todas as outras daquele mês, mas naquela segunda-feira Margarida podia jurar que tinha algo diferente. Ela não sabia se era o medo ou a ansiedade que mais tiravam sua paz, e nem queria descobrir, tudo o que Margarida mais desejava era que aquele momento passasse.

Faziam horas que Margarida  não sentia mais dor. Aquilo já era um alivio, mas por outro lado sentia um buraco na sua barriga que lhe causava estranheza. Ela não sabia bem o que era, mas tinha certeza que algo lhe fora arrancado.

– Ela está acordando. – Ouviu alguém dizer de longe, mas não identificou de quem era a voz.

Margarida quis contrariar aquela observação e tentou dormi novamente. Por algum motivo abrir os olhos lhe irritava, ela tinha medo do que ia encontrar naquele quarto. Ah! Isso ela sabia. Estava em um quarto que não era seu e que nunca tinha visto antes, não sabia nem mesmo como tinha ido parar ali.

A última coisa da qual se lembra é de estar na sala do sítio do seu namorado e sentir muita dor. Ela acha que não estava sozinha, porque ouviu vozes dizendo “o bebê vai nascer”. Mas que bebê era aquele?

– Você teve uma linda menina. – A voz voltou a repetir, dessa vez com um toque em suas mãos, e foi quando Margarida despertou do pesadelo e descobriu que era mais real do que gostaria.

Ela estava grávida.O motivo de estar no sítio era porquê o namorado não queria que ninguém soubesse, e ela também. Aquela gravidez significava uma vergonha para sua família, já que não era casada e seu salário de professora não dava para sustentar nem a si própria.

O buraco na barriga significava que a criança tinha sido tirada, e graças a Deus por isso.

Lentamente ela abriu os olhos e começou a identificar as duas moças que estavam no quarto. Era Carla e Zélia. Ambas empregadas da casa onde estava. Mas será que foram elas que fizeram o parto?

– Como a senhora se sente? – Perguntou Zélia, a mais velha das duas, tanto de idade quanto no trabalho. Zélia praticamente criou os filhos do patrão. Ela trabalhava naquele sítio há mais de 25 anos.

– Eu quero água… – Margarida respondeu, com muita dificuldade.

Carla – filha de Zélia – correu para pegar um copo e prontamente entregou para patroa, que bebeu ferozmente.

– Gostaria de ver a criança agora, senhora?

Quando ia abrir a boca para dizer que não, Margarida parou. Seria a única vez que ela veria aquele ser que saiu de dentro da sua barriga, que mal faria vê ao menos se parecia com ela ou com o pai.

Não era como se estivesse virando as mães felizes que acabam de ter filhos e mal podem esperar para ter a criança no braço. Ela só queria vê se pelo menos o sacrifício dos 9 meses tinha valido a pena.

Quando Carla se dirigiu para perto da porta, Margarida pensou que a bebê estivesse em um outro quarto, mas se enganou, ela estava em um bercinho improvisado ao lado da maçaneta, que Margarida logo reconheceu, já que todas naquela casa eram iguais.

Ela continuava no sítio, mas em um quarto que nunca tinha entrado.

– Foi nesse quarto que eu fiz todos os partos da patroa. – Zélia explicou, como se tivesse lendo seus pensamentos.

Carla estava chegando perto e Margarida começou a ficar nervosa. Ela não sabia o que fazer, não tinha ideia de como segurar uma criança e muito menos reconhecia o sentimento que aquele ser tão pequeno estava causando nela só de chegar perto.

– A senhora já escolheu o nome? – A curiosidade da garota tirava a mais nova mãe do sério.

– Nem faço ideia. – Respondeu de mau humor.

– Pode pegar, senhora.

Margarida não entendeu a instrução.

– No começo dá medo mesmo, senhora, mas depois começamos a pegar jeito.

As palavras de Zélia a situaram. Carla estava com a bebê do lado da cama, mas Margarida não tinha feito menção de que ia pegar. Obrigou seus braços a se moverem em direção a criança, e nesse instante achou que seu peito iria ser perfurado pelas batidas do seu coração.

A partir do momento em que colocou a filha nos braços, tudo começou a funcionar em câmera lenta.

Era uma criança grande, assim como o pai. Tinha o cabelo da cor de mel e a pele no mesmo tom amarelado de Margarida.

A menina dormia profundamente, mas assim que Margarida tocou inconscientemente  sua bochecha com o dedo indicador a garota deu um quase sorriso. E naquele instante o coração da mãe parou.

Era como se a partir de agora respirar só fizesse sentido se aquela criança também respirasse. Margarida podia jurar que o coração de ambas batiam na mesma sintonia. Aquilo era novo para ela, não sabia como identificar aqueles sentimentos.

Minutos antes ela desprezava aquele ser, porém agora, depois de tê-la em seus braços, sentia como se seu mundo dependesse daquele quase sorriso.

Fez carinho na cabeça da menina e sem pensar disse:

– Ela vai se chamar Priscila, é o mesmo nome da minha vó.

– É um lindo nome, senhora.

Horas depois Margarida ainda estava com a criança no braço. Ela tinha medo de soltar e alguém levá-la. Àquela altura ela já estava mais situada de tudo o que tinha acontecido.

Zélia lhe contou que perdeu muito sangue, o que a fez desmaiar, mas graças a Deus, apenas depois de ter tido a bebê.

Priscila acordou com fome, e Margarida não tinha leite, o que a fez se sentir impotente e incapaz de cuidar daquela criança que dependia exclusivamente dela, mas a empregada a acalmou e disse que isso era perfeitamente normal, e que para acabar com a fome da pequena iria preparar um leite especial, ensinado por sua mãe.

Margarida ficou desconfiada, mas como a mulher lhe garantiu que todos as crianças daquela casa já tinha tomado a receita, ficou um pouquinho mais tranquila. E também não tinha saída, era aquilo ou a filha morria de fome.

Já ia dá onze da noite quando um barulho de porta batendo chamou sua atenção e assustou Priscila,que choramingou em seus braços.

– Shiu… não foi nada, a mamãe tá aqui… – Acalentou a menina, que logo se acalmou. Margarida ficou lisonjeada com o efeito de sua voz. Então seria assim dali para frente? Sua voz traria tranquilidade para aquela criança? Tudo era muito novo para ela e sentiu seu coração palpitar, a cada segundo que passava ela amava mais um pouquinho aquele ser.

– Por favor, senhor, fique calmo. Ela deve estar dormindo. – A voz suplicante era da empregada idosa e Margarida já sabia com que ela falava.

Antes que pudesse colocar a menina no berço, o pai entrou.

– Me dá, eu já vou levá-la!

Por um segundo Margarida ficou sem saber de quem ele estava falando. Mas então, lembrou. Ambos tinham combinado de levar o bebê para adoção assim que nascesse. Só que agora tudo mudou, e talvez se o namorado visse a mesma carinha que dominou seus sentimentos, o mesmo acontecesse com ele.

– Por favor, olha pra ela… – Estendeu os braços para mostrar a criança. – Eu dei o nome de Priscila porqu…

– Cala a boca! – O grito assustou não só a neném, mas ela também. – Eu não quero olhar para essa criança maldita! Eu não quero esse bebê! Nunca quis!

– Eu também não queria… – Margarida tentou explicar pela milésima vez que a gravidez tinha sido um acidente. – Só que agora … Eu não sei, ela parece tão dependente de mim…

– Ela não é sua filha nem minha! Tira isso da sua cabeça!

Margarida chorou, gritou, suplicou, mas não teve jeito. Nem mesmo os pedidos desesperados da empregada que praticamente criou o namorado conseguiram mudar a decisão dele.

Tomou a criança dos seus braços – sem olhar para aquele rostinho tão delicado e poderoso –, saiu pela porta e nunca mais voltou.

As mulheres ficaram desconsoladas. Margarida não sabia o que fazer. Queria morrer, sua vida não fazia mais sentido. Os únicos momentos reais de felicidade que ela sentiu tinham acabado e agora nunca mais voltariam.

Naquela madrugada ela tentou se matar, mas falhou.

Continua…

Iaiiii pessoas? Ficaram surpresas com a descoberta da verdadeira mãe da Priscila?? E o pai…? Como alguém pode fazer uma coisa dessas com uma mãe?

Ah! Antes de me despedir, quero comunicar que na quinta-feira, 20h, teremos o próximo capítulo de Eu odeio Ele! Isso, mesmo! Dessa vez, você não precisará esperar muito para matar a curiosidade 😉

Até lá!

Anúncios

4 comentários em “Eu odeio Ele – Capítulo 14

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s