Eu odeio Ele

Eu odeio Ele – Capítulo 15

Olá pessoas!! Hoje vamos ter o capítulo 15 antes do esperado! Gostaram dessa surpresa? 😉

“Não sabes, não ouvistes que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fadiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento.” (Isaías 40:28)

Priscila, acorda. – Despertei assustada, e demorei um pouco para me situar.

– O que aconteceu?

– Nada, vamos descer para comer.

Eu estava com fome. Viajávamos a mais de 5 horas, mas eu não queria comer na companhia do Fumaça. Ele estava insuportável. Não falou comigo mais do que 4 palavras desde que acordou. Se eu soubesse que na manhã seguinte após o beijo ele ficaria tão estranho, nunca tinha deixado que tocasse minha boca.

– Eu não estou com fome. – Minha barriga roncou, entregando a mentira.

– Se você não comer agora, vai ter que aguentar até chegarmos à Goiânia.

Até lá eu já teria desmaiado, tive que pisar no orgulho.

O restaurante era no meio do nada, bem grande e aberto. O teto era coberto de bambu, o que deixava tudo com um ar bem natureza. Estava lotado – já que nosso ônibus não foi o único a parar – e não tinha nenhuma mesa vazia.

Achamos um lugar com 3 cadeiras – uma já estava ocupada por um rapaz moreno, alto, que aparentava ter uns 26 anos e com um cabelo tão bem arrumado que senti inveja. Ele lia um livro, superconcentrado enquanto esperava a comida.

– Podemos sentar aqui? – O Fumaça perguntou.

– Claro, fiquem à vontade. – Respondeu, educadamente.

Nos acomodamos e logo a garçonete veio anotar nosso pedido. Pedi um sanduíche de frango com um suco de goiaba – se minha mãe visse esse almoço iria surtar – e o Fumaça pediu uma sopa de legumes – se não fosse todos os outros defeitos, ele seria o filho perfeito. Quem come sopa de legumes no almoço quando a mãe não está por perto?

– O Mestre do amor.

Como o Fumaça estava de cabeça baixa fazendo um esforço enorme para não me olhar, o rapaz só podia estar falando comigo.

– Oi?

– O nome do livro.

Fechou e me mostrou a capa, fiquei super sem graça. Não tinha percebido que estava observando sua leitura.

– Nunca ouvi falar, mas pelo nome parece legal.

– É muito bom, fala do amor de Cristo pela humanidade.

Na mesma hora fechei a cara.

– O que foi?

– Nada.

– Você não acredita no amor de Jesus pela humanidade?

– Não é isso, é que… não sou muito fã de livro de autoajuda.

– Tenho certeza que esse você ia adorar.

– Por quê? – Por mais que fingisse desinteresse, tenho certeza que o Fumaça estava atento ao nosso diálogo, e isso me deixou mais animada em continuar. Queria deixá-lo irritado como estava fazendo comigo.

– Porque nesse você descobre o quanto Jesus foi humano como nós, mas em nenhum momento perdeu Sua glória, e o autor tenta nos mostrar o quanto Ele nos deu uma lição de humildade.

Tudo o que ele estava falando não passava de besteira, respondi em pensamento que a única lição que Cristo me deu foi de prepotência, de tirania.

– Melhor mudarmos de assunto.

–  Qual o seu nome? – Não precisava ser um assunto tão pessoal, mas gostei.

– Priscila e o seu?

– Marcos, e o seu? – Se dirigiu ao Fumaça, deve ter tentando incluí-lo na conversa por pensar que era meu namorado e ficaria com ciúmes.

– Fumaça… – Respondeu de má vontade.

– Ele é emburrado assim mesmo. – Tentei fazer graça, mas não deu muito certo, já que meu companheiro me fulminou com o olhar e voltou a abaixar a cabeça, dando sua participação na conversa por encerrada.

– Para onde você vai?

– Goiânia, e vocês?

– Também! – Respondi, animada pela primeira vez com aquela viajem. O estranho tinha um ar de paz e alegria que me fizeram esquecer todos os motivos que me levaram a sentar ao seu lado. – Quanto tempo você vai ficar por lá?

– Ainda não sei, estou fazendo um tour por várias cidades.

– Tour? Sozinho?

– Ás vezes é bom viajar só, ajuda a ouvir melhor uma voz interior que nos mostra o que devemos fazer com nossa vida. – Só consegui pensar que ele era maluco, e achei melhor ficar calada para não correr o risco de falar algo desagradável. – Você tem quantos anos? – Perguntou de repente, e achei aquilo estranho, e o Fumaça também, já que logo levantou a cabeça e ficou encarando o Marcos para vê o que estava por vim.

– 15, por quê?

– Você lembra minha irmã. – Ele respondeu de uma maneira tão sincera e sentimental que me senti envergonhada por ter desconfiado dele, já o Fumaça continuou atento.

– Ela tem minha idade?

– Tinha. – Disse pensativo.

– O que aconteceu?

– Um cara bêbado ultrapassou o sinal vermelho na hora que ela atravessava a rua.

– Sinto muito, – falei com sinceridade e notei que o Fumaça já tinha se concentrado na mesa novamente – ele foi preso?

– Apenas por alguns dias, pagou fiança e saiu, já que não tinha antecedentes.

– Imagino como sua família deve ter ficado revoltada… – Falei indignada só de pensar tamanha injustiça.

– No começo sim, mas depois compreendemos que mesmo a justiça do homem falhando, a de Deus chega. – Então o cara mata a irmã dele, não fica preso e ele ainda resolve esperar pela justiça de Divina?

– Você deve está achando uma loucura essa teoria, né? – Questionou diante do meu silêncio.

– Para ser sincera um pouco. Acredito que se Deus quisesse teria livrado sua irmã.

– Eu também pensei isso logo que soube do acidente. E de fato, se Ele quisesse teria livrado, mas tinha chegado a hora dela. Alguns meses depois ao acidente, eu ainda estava desconsolado e chorava de revolta todas as noites, até que em uma madrugada enquanto eu olhava para o céu e perguntava o porquê, Deus falou comigo. Ás vezes as coisas acontecem e na hora não entendemos, mas em um futuro bem próximo tudo se esclarecerá. Ele confortou meu coração com a certeza de que está no controle de tudo e sabe o que é melhor para nós.

Um riso irônico se formou no meu rosto, mas tentei ao máximo segurar.

– E tem mais, Priscila, infelizmente vivemos em um mundo cruel e estamos sujeitos as suas crueldades. Deus não tem culpa dos atos dos homens.

Nossa comida chegou antes que me sentisse obrigada a responder aquelas loucuras. Como alguém pode defender Deus diante de tamanha injustiça permitida por Ele.

Comemos conversando sobre coisas aleatórias, como de onde éramos e de livros incomum que já tínhamos lido.

Quando voltei para o ônibus fiquei feliz em saber que o Marcos estava no mesmo que nós e disse ao Fumaça para ele seguir a viagem sozinho.

– Faça como quiser. – A resposta atravessada mostrou que tinha se magoado, mas nem me importei.

– Meu namorado está um pé no saco, posso ir do seu lado? – Inventei nossa relação para não passar a impressão errada. Eu não estava a fim do Marcos, só queria por mais algumas horas esquecer todos os meus problemas.

– Ele não vai achar ruim? – O Marcus pareceu realmente preocupado com essa possibilidade, mas o tranquilizei.

– Vai achar até bom, do jeito que está com raiva de mim.

Conversando as horas passaram tão rápido que nem percebi, quando vi já eram 21 horas e tínhamos chegado a Goiânia.

Assim que desci tive a certeza que iria sofrer, o vento estava gelado e minhas roupas não eram nem um pouco apropriadas.

– Foi bom ter você como companhia durante a viagem, – ele me deu um abraço e eu senti lágrimas se formando. – Você está precisando de alguma coisa?

Logo entendi a pergunta subtendida. Se eu quisesse me livrar do Fumaça, aquela era a hora.

– Obrigada, mas vou ficar bem. – Tentei segurar as lágrimas.

– Não vale chorar, se cuida e não esqueça você nunca vai estar sozinha?

– Você vai comigo? – Ele tinha virado um amigo.

– Não, mas Deus sempre vai está com você.

Eu ia retrucar, só que preferi não estragar o momento e demos mais um abraço. Ele realmente tinha conseguido me fazer esquecer os problemas. Durante aquelas horas no ônibus não senti vazio nem angústia, e saber que isso ia voltar em minutos me deixou desesperada.

A rodoviária tinha um shopping center e achei aquilo o máximo. Eram muitas lojas com roupas lindas e o ambiente bem agradável, se fosse em outra situação tenho certeza que teria adorado e tirado muitas fotos.

O clima entre mim e o Fumaça não estava nada bom, eu não escondia a raiva que sentia pela forma como tinha mudado de humor – ficava me perguntando se ele não tinha gostado do beijo ou o que eu tinha feito de errado – e ele deixava claro que não tinha gostado nada da minha troca de lugar.

Compramos algumas roupas – fiquei chateada porque não pude escolher com mais calma, eram muitas opções – e depois fomos comer. O sanduíche era maravilhoso e eles vendiam um suco de frutas com leite condensado, conhecido como creme, pedi um de morango e era simplesmente divino.

Continua…

Na próxima terça (11), saberemos como será a vida de Priscila e Fumaça na nova cidade. Não perca!

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3 comentários em “Eu odeio Ele – Capítulo 15

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