Eu odeio Ele

Eu odeio Ele – Capítulo 17

Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.” (Efésios 6:4)

Já era a décima vez que Wilson queria bater na sua filha, em menos de 12 horas.

– Clara, você precisa me contar onde sua amiga está! A Sônia e o Wilson estão ficando malucos!

– Pai, eu não sei! Por que você não acredita em mim?

A garota choramingou mais uma vez e aquilo estava tirando ele do sério. Era óbvio que Clara estava escondendo alguma coisa. As duas era inseparáveis desde pequenas, a Priscila não iria fazer uma loucura dessas sem contar para melhor amiga.

– Minha filha, ela pode está correndo perigo. – Interveio Marta.

– Mãe, eu estou falando a verdade. A Priscila não me contou nem mesmo que estava namorando com esse garoto.

– Clara, quando eu tinha uma melhor amiga, contávamos tudo uma para outra. – Relembrou Marta, tentando arrancar alguma coisa da filha de um jeito delicado, diferente do marido.

– Só que eu e a Priscila não somos assim!

A menina saiu da sala pisando fundo, não adiantava quantas vezes dissesse que não sabia onde a amiga estava, os pais não acreditavam.

– Eu vou matar essa garota! – Esbravejou Wilson.

– Do que vai adiantar você bater nela? Aliás, você não devia nem mesmo está tentando tirar alguma informação dela, esse é o meu papel.

– Como assim? Eu sou pai dela, falo com minha filha na hora que eu quiser!

– Esse é o problema: você só lembra que a Clara existe quando quer! Deixa que eu converso com ela.

A esposa não esperou a resposta do marido.

Clara estava de bruços na cama, aos prantos.

– Sai daqui, mãe!

– Meu amor, não fica assim, você sabe que seu pai não leva jeito para conversar com ninguém. Ele tá nervoso, fica imaginando se fosse você no lugar da Priscila.

– Se fosse eu, ele iria está comemorando!

– Não fala isso, Clara! – Repreendeu a mãe, se arrepiando só de pensar na possibilidade.

– Mãe, eu não sei. Eu juro que não sei…

A filha parecia tão sincera que Marta estava começando a acreditar.

– Mas minha filha, vocês eram melhores amigas.

– Você não acha que eu penso nisso todos os dias? A Priscila fugiu, mãe, e não contou nada! Isso quer dizer que ela tinha segredos comigo! – A voz magoada de Clara convenceu a mãe.

– Ela não demonstrou nenhum comportamento estranho?

– Nada. Ela estava normal. – Clara já tinha repetido aquela mentira tantas vezes que estava começando a acreditar.

– E você não faz ideia de quem seja esse garoto?

– Não! – Segunda mentira que estava se tornando verdade.

As lágrimas de Clara aumentaram. Ela não tinha certeza, mas desconfiava. Ficava repetindo no espelho que Priscila tinha fugido por livre e espontânea vontade e que escondeu esse fato dela. Não queria pensar na possibilidade de que alguma coisa tivesse acontecido com a amiga. Negava para si mesmo que aquela fuga podia ter alguma relação com a noite na boate.

– Eu acredito em você, mas se ela entrar em contato, você tem que nos contar. – Marta se deu por vencida.

– Pode deixar.

A mãe saiu do quarto deixando a filha com o rosto no travesseiro.

Clara estava com ódio. Ela nunca tinha recebido tanta atenção da família, principalmente do pai. Foi preciso sua amiga desaparecer para que eles notassem que tinham uma filha todos os dias e não só em eventos sociais.

Ela sabia que tinha alguma coisa errada naquela história. Por mais que tivesse magoada achando que Priscila escondeu algo importante dela, Clara não podia negar a voz baixinha que lhe dizia sobre possíveis riscos que a melhor amiga estava correndo. Principalmente depois da ligação.

A garota tremeu só de relembrar a voz do outro lado do telefone.

É o seguinte, se você contar para alguém alguma coisa sobre aquela noite eu acabo com você, mas antes mato sua amiguinha e alguém da sua família.

Dois dias antes, aquela voz tirou o sono de Clara. Ele se identificou como Toddy. Era o mesmo garoto da noite na boate, e como naquele dia, fez todos os pelos do corpo da garota se arrepiarem.

Continua na próxima…. 

QUINTA-FEIRA (13)!!!

Às 20h, espero você aqui 😉

 

 

 

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