Eu odeio Ele

Eu odeio Ele – Capítulo 21

Vamos a um capítulo especial de final de semana? 😉

“Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte.” (Provérbios 14:12)

Uma semana depois ainda não tínhamos voltado a trabalhar. O Fumaça disse que não podíamos confiar no Ronald.

– Ele joga dos dois lados, mas na hora que o bicho pega sempre apoia o Miguel.

– Então será que ele já não entregou que estamos aqui? – Fiquei intrigada.

– Não faço ideia, é por isso que já temos que pensar em ir embora.

– Só não quero voltar pra casa do Daniel, por favor.

– Eu jamais faria isso com você. – Segurou minha mão e apertou. Apenas esse toque foi o suficiente para despertar uma descarga elétrica em mim. – Aliás, me perdoa por aquilo.

– Tá tudo bem, já passou mesmo. – Minha voz embargada entregava a mentira. Não estava tudo tão bem assim. Eu ainda pensava naquelas mãos passeando pelo meu corpo e sentia ânsia de vômito.

– Vem cá… – Me deixei ser envolvida por aqueles braços que não eram mais estranhos.

– Fumaça, porque a Dóris aceita as coisas erradas do filho?

– Ela se sente culpada. – Disse, enquanto eu encostava a cabeça no seu ombro.

– Pelo o quê?

– O marido abandonou eles quando o Dan tinha apenas 8 anos e antes disso, todos os dias ele batia no filho. Acho que a Dóris pensa que se tivesse colocado o esposo pra fora de casa mais cedo, teria evitado o comportamento agressivo do Daniel.

Fiquei chocada com aquela revelação.

– Mas isso não justifica os atos dele hoje.

– Verdade, mas a infância conturbada fez o Daniel crescer revoltado e desequilibrado.

– Só que você não é assim.

– Como eu disse, é só uma questão de escolha.

Assenti e ele deu um sorriso.

– O que foi?

– Você nunca concorda comigo, devo ficar preocupado?

– Só se você continuar sorrindo desse jeito que faz meu coração acelerar.

Dessa vez, sorrimos os dois e quando vi já estávamos nos beijando novamente.

O Fumaça tinha um efeito sobre mim que até hoje não sei explicar. Ao mesmo tempo que sentia vontade de me afastar sentia uma necessidade de ficar. Era como se ele fosse o veneno e o remédio.

– O que você está fazendo comigo? – Sussurrou enquanto beijava avidamente meu ouvido.

– Te beijando? – Respondi confusa. Naquele estado, a última coisa que eu conseguia era raciocinar direito.

– Me enlouquecendo, isso sim!

Voltou a trabalhar em minha boca e mais uma vez, quando sua língua encontrou a minha, todos os fios de cabelo do meu corpo se arrepiaram e eu estremeci da cabeça aos pés.

Nossas bocas se encaixavam perfeitamente, pareciam ter sido feitas uma para outra, e eu só pensava em como queria congelar aquele momento.

– Vamos para o quarto?

– Hum rum… – Murmurei, mais uma vez dando permissão para continuarmos, já que não importasse quantas vezes dormíssemos juntos depois da minha primeira vez, ele sempre me olhava antes, como se estivesse pedido permissão. E eu amava aquilo.

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– Nós precisamos fazer alguma coisa! – Sônia gritou pela terceira vez naquele dia.

– O que você quer que eu faça? Já fui nos hospitais, nas delegacias, rodoviárias, em tudo quanto é lugar e nada.

– Seu amigo não ficou de passar a foto dela em um jornal?

– E ele passou, mas foi local. Se nossa filha estiver em outra cidade não vai adiantar muita coisa… – Respondeu Antônio cabisbaixo.

– Por favor, meu amor, você tem que fazer alguma coisa.

Antes que Antônio alegasse que estava fazendo tudo que podia para encontrar a filha, Margarida resolveu intervir na discussão.

– Eu conheço alguém que pode colocar a foto dela em um jornal nacional.

– Quem? – Perguntou Sônia esperançosa, mas a irmã não respondeu, apenas saiu da sala.

Já era a quinta fez que Margarida ligava para Wilson naquele dia, mas ele não atendia. Jurou que se continuasse assim iria bater na sua casa. Para sua surpresa, daquela vez ele atendeu no terceiro toque.

– O que você quer?

– Quero que você coloque a foto da Priscila em um jornal nacional.

– O que? Você pirou? Eu quero esconder ela do Miguel não entregar de mãos beijadas.

– Se você não fizer isso até amanhã de manhã eu juro que vou dizer para minha irmã e pro meu cunhado que você sabe onde a filha deles está.

Para parecer ainda mais ameaçadora, Margarida não esperou a resposta, apenas desligou o telefone. Ela sabia que era um risco, mas se o Wilson estava falando a verdade e o Miguel queria mesmo pegar a Priscila, ela daria um jeito de proteger a filha.

 

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