Eu odeio Ele

Eu odeio Ele – Capítulo 23

“Porque o salário do pecado é a morte…” (Romanos 6:23)

– Se você não aparecesse em cinco minutos, seu namorado ia ser morto. – A voz melancólica e arrastada foi como o vinagre que deram para Jesus antes de ir à cruz. Aquele rosto de feições delicadas e perturbadoramente perfeitas eu reconheci na hora.

– Vai embora, Priscila. – O Fumaça ordenou, e pela primeira vez, olhei para ele e vi que estava estirado no sofá. Seu nariz sangrava e seu olho direito tinha uma mancha roxa desconhecida.

– O que ele fez com você? – Corri para o seu lado e ficar mais próxima do Miguel fez meu coração quase parar.

– Agora eu entendi por que você fez essas loucuras por ela – mesmo sem olhar diretamente para ele, senti seus olhos percorrerem todo o meu corpo.

– Priscila, fica calma.

– Calma? Você está todo machucado! – Meu histerismo mostrava minha falta de sensatez.

– Se você não sentar agora, vou matá-lo. – O cano do revólver no meu pescoço colocou meu corpo em piloto automático.

– Por favor, não faz nada com a gente. – Supliquei, com a voz chorosa.

– Com você eu não vou fazer nada, preciso do seu rosto e corpo em perfeito estado. – Eu já tinha visto o Miguel na televisão, e sinceramente, ele não estava muito diferente daquele momento. Como alguém consegue fazer ameaças de um jeito tão delicado, educado e ao mesmo tempo soar perturbadoramente psicopata. – Agora você, Fumaça, sabe muito bem que não posso perdoar sua traição. Você será um exemplo.

Não sei bem o que passou na minha cabeça naquele momento ou quais sentimentos invadiram meu coração. Estava tudo muito confuso. Era como se meu espírito tivesse saído do corpo e eu, na verdade, estava assistindo tudo acontecer com uma outra pessoa.

– Fumaça, e agora? – Sussurrei, como se o Miguel não estivesse sentado na mesa à nossa frente, e apenas a alguns centímetros da gente.

– Vocês vêm comigo, princesa.

Pela primeira vez tirei os olhos do Miguel e olhei para o Fumaça na esperança de que ele tivesse algum resposta silenciosa, e como sempre, a esperança morreu antes mesmo de ser fundamentada.

Só que para minha surpresa eu estava errada.

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