Eu odeio Ele

Eu odeio Ele – Epílogo

– Amor, vamos chegar atrasados na apresentação. Já está todo mundo lá na sala.

– Só estou calçando a sandália!

Ele entrou no quarto todo agoniado, aquilo costumava me deixar maluca, será que não podia entrar como uma pessoa normal?

– Você disse isso há vinte minutos. A Nanda já se desarrumou toda, a Clara está tendo que colocar o cabelo dela no lugar, mas não sei se vai conseguir.

– Será que três homens e uma mulher não conseguem controlar uma menina de oito anos? – Perguntei.

– Não quando essa garota puxou a mãe! – Alfinetou e eu sorri. Calcei a sandália e me levantei, ele ainda estava me aguardando na porta. 

– Você está linda. – O elogio e seu olhar percorrendo todo o meu corpo me causou calafrios. Dei um abraço nele para que a sensação demorasse um pouco mais.

– Como acabamos assim? – Sussurrei em seu ouvido.

– A pergunta certa é: Como o policial ajuizado terminou com a adolescente rebelde e revoltada.

– Ei! Eu não sou nem rebelde nem revoltada! – Dei uma tapa nele de brincadeira, e fui retribuída com um beijo, que como sempre fez meu coração disparar.

– Correção: você era. – Disse passando a boca pelo meu pescoço.

– Não era você que estava apressado?

– Eles podem esperar.

– Cuidado, você não consegue enfrentar dois pais.

– Se você diz… – Voltou sua atenção para minha boca e  eu realmente desejei que não que não tivéssemos que sair.

– Mãe! – A Nanda gritou ainda na sala.

– Essa eu não enfrento.

Dei uma risada, parei o beijo e me afastei um pouco dele. Minha filha entrou no quarto na mesma agonia do Ricardo. 

– Vamos gente! Vamos chegar atrasados! – Ela disse puxando o Ricardo pelo braço e ele não fez resistência para obedecer.

– Nós já estávamos indo, mas sua mãe demorou para calçar a sandália.

– Vamos deixar ela, tio Ricardo.  

Os dois saíram rindo e me obrigando a correr para alcançá-los.

Quando cheguei à sala dei de cara com todos já na porta, inclusive a Marta e minha tia – que tinha acabado de chegar –. Fiz uma prece silenciosa, agradecendo a Deus por todas as pessoas que Ele colocou em minha vida e por ter me dado a chance de recomeçar com outra pessoa, mesmo quando achei que isso não seria possível.

Olhei pra Nanda e lembrei do Fumaça, senti saudades dele, mas eu sabia que ficar pressa ao passado não ia adianta nada. Se eu pudesse voltar atrás faria, sim, tudo diferente, mas ai quem sabe, eu não tivesse descoberto toda verdade a tempo, não tivesse ganhado mais um pai, uma irmã, não teria conhecido o lado vó da Marta, já que ela trata a Nanda como se fosse da Clara e não estaria casada com o Ricardo.

Porém o mais importante: não teria aprendido a perdoar de uma forma tão profunda. Jamais teria descoberto que podemos ser feliz – apesar de nossas escolhas erradas – quando somos humildes e reconhecemos que precisamos de Deus. Por fim, não estaria aqui contando minha história para todas as pessoas que desejam liberdade ou que já descobriram os riscos que viver buscando ser livre trás. Existe sim final feliz, eu sou a prova viva disso.  Deus transformou os males da minha vida em bem, e hoje eu sei que nunca tive motivos para odiá – Lo.

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