Um estranho do meu caminho

Um estranho no meu caminho – Capítulo 1

— Eu já disse que não sei de nada! — Gritei pela milésima vez.

— Mas você estava com ele!

O ele em questão era meu pai, — que eu odiava — e a pessoa que me mandava dizer onde ele estava era um maluco, que se achou no direito de apontar uma arma pra mim e me obrigar a entrar em seu carro.

— Por que você quer tanto achar ele?

— Seu pai me deve. — Aproximou o revólver do meu rosto, e confesso que tremi.

— Eu juro que faz mais de cinco meses que não tenho noticias dele, se você encontrar ele avisa que ainda estou viva. — Falei, com uma magoa clara em minha voz.

— Não mente pra mim garota! — Suas mãos tremiam e por várias vezes tive certeza de ter ouvido ele puxar o gatilho.

— É serio, me deixa ir embora, por favor.

— Se você estiver mentindo, vou te encontrar e matar você e sua mãe. — Ameaçou e eu não tive dúvidas que faria isso mesmo.

— Não estou. — Murmurei.

Um minuto depois ele fez sinal para que eu saísse do carro e não pensei duas vezes, corri sem parar até chegar à porta da minha casa.

Quando entrei estava esbaforida e cansada, mas consegui ouvir vozes vindo da cozinha, e fui até lá prometendo que colocaria para fora quem quer que fosse.

— O que você está fazendo aqui? — Grande foi minha surpresa ao vê que minha mãe conversa com a última pessoa que eu queria sentir o cheiro em todo o universo. — Eu quase morri por sua causa! — Berrei.

— Minha filha, se acalma, seu pai está precisando de ajuda.

— Você só nos procura quando quer alguma coisa, vai embora agora!

— Não fala assim comigo, Márcia, me respeita! — Ordenou em vão.

— Respeito? Você sabe ao menos o que significa isso? Um louco acabou de ameaçar eu e a mamãe, caso eu não contasse onde você estava.

Ele ficou pálido.

— O que você disse? — Perguntou, baixando o tom de voz.

— Nada, por que não sabia, — meu pai deu um suspiro aliviado — mas se soubesse teria te entregado. — Acrescentei.

— Márcia, seu pai ficará um tempo com a gente. — Minha mãe disse, com naturalidade e aquilo fez meu ódio aumentar.

— De jeito nenhum, você enlouqueceu?

— Filha, ele está com problemas… — Era como se ela fosse sua porta-voz — Precisamos ajudar.

— Você não pode está falando sério.

— Eu vou ficar, quer você goste ou não.

— Você entra e eu saio.

Dito isso, virei as costas e fui em direção ao meu quarto para arrumar minhas coisas. Estava fora de cogitação morar no mesmo teto que aquele homem. Eu não suportava olhar na cara dele, era a pessoa mais falsa que eu conhecia e pior ainda, cara de pau, pois só lembrava-se da nossa existência quando estava em apuros.

Pois se era com ele que minha mãe queria ficar, que ficasse, eu não suportaria aquilo.

….

Não perca a continuação da história de Márcia, Continua na próxima segunda-feira, às 20h 🙂

Enquanto isso, me digam o que acham: ela deve ir ou não embora de casa?

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