Um estranho do meu caminho

Um estranho no meu caminho – Capítulo 3

— Márcia volta aqui, por favor. — Tomei um susto com sua voz quase delicada, mas mesmo assim não voltei. — Conversa comigo ao menos uma vez. — Pediu, vindo atrás de mim.

— Igual você conversou todas as vezes que precisei? Ou como você falou todas as vezes que desejei ouvir sua voz, mas você estava longe? Melhor, vou conversar com você igual você fala comigo e a mamãe: “preciso de ajuda”. Tá bom assim? — Tive a impressão de ter visto um leve traço de dor em seu rosto, mas continuei.

— Você não é meu pai e eu tenho vergonha de carregar seu nome. — Dizer aquilo fez meu coração apertar, parte de mim não queria sentir aquelas coisas, mas eu não conseguia evitar. — Alguém que abandona a própria filha não é digno dela. Eu vou embora.

— Mas… — Sua voz falhou, e mais uma vez fique surpresa. — Você não tem pra onde ir.

— Tenho amigos, pessoas que se importam comigo de verdade e que não trocam minha companhia por outra qualquer, como a mamãe acabou de fazer.

— Márcia é perigoso, o cara que veio atrás de você pode voltar.

— Por favor, fique. — Pediu com um tom de voz que eu jamais ouvi dele, e aquilo quase me fez acreditar em sua preocupação.

— Se ele aparecer ótimo, conto onde você está.

Ele não disse mais nada e eu continuei meu caminho. Antes de sair de casa já tinha ligado pra uma amiga perguntando se eu poderia passar uns dias lá, e pra minha sorte ela aceitou.

Quando estava quase chegando na casa da Rafaela topei em uma pedra do tamanho de uma bola de golfe e a dor foi quase alucinante.

— Aiiii!

— Tá tudo bem, garota? — Um menino que passava na hora veio ao meu encontro.

— Claro que não, idiota! — Minha intenção não era ser tão grossa, mas a dor não me deixava raciocinar. Fiquei pulando de um pé só como se aquilo fosse diminuir o machucado.

— Me deixa ajudar. — Ele insistiu.

— Eu não preciso de ajuda, pode continuar seu caminho. — Minha grosseria não o intimidou.

— O machucado foi feio, pode precisar de gelo.

— Eu arranjo. — Suspirou, e se deu por vencido:

— Tudo bem.

Quando ele deu uns cinco passos e voltei a quase pensar com clareza a culpa bateu.

— Ei! — Ele se virou e ficou parado onde estava como se tivesse medo de se aproximar.

— Desculpa, o problema não é com você. — Quando eu disse isso, foi apenas para mostrar que eu não era uma pessoa toda má, não tinha a menor intenção de fazê-lo voltar para o meu lado.

— Eu sei.

— Sabe o quê?

— Que você foi grossa não apenas por conta da topada, mas porque está com raiva do mundo e precisa descontar em alguém. Felizmente eu fui o primeiro que apareceu.

Quem aquele garoto pensava que era pra dizer que sabia da minha vida ou fazer uma análise das minhas atitudes?

Com os dois pés já no chão fui bem clara: 

— Presta atenção, eu só pedi desculpas porque fui grossa, não porque queria você me avaliando.

— Não estou fazendo isso, apenas comentei o que sua atitude mostrou.

— Se você não sair da minha frente agora, garanto que não vai poder avaliar mais nada em sua vida.

— Isso é uma ameaça?

— Fique e verá. — Rebati.

— Ficarei.

E eu não pensei duas vozes em preparar meu braço para ir direto em direção ao seu nariz, mas quando peguei todo o impulso que precisava e já estava quase o socando, ele segurou minha mão.

— Já fiz karatê.

— Me solta agora. — Ordenei.

—Só se você prometer sentar comigo naquela lanchonete e conversarmos cinco minutos.

— O quê? — Tentei me soltar, mas ele foi mais forte. — Você é um otário, se pensa que vou ficar com você!

— Ficar? Você tá maluca? Eu disse conversar. — Deu ênfase nessa parte e tive certeza que ele não girava bem. — Vamos apenas falar, nada mais.

Diante do meu silêncio e da expressão de ódio que eu tenho certeza que estava em meu rosto, ele insistiu.

— Só cinco minutos e eu ainda pago o lanche.

Não perca a continuação da história de Márcia, Continua na próxima segunda-feira, às 20h 😉

Iai, me contem, vocês acham que Márcia deve ou não sentar com esse garoto para conversar?

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