Meu anjo da guarda

Meu anjo da guarda – Capítulo 7

Finalmente consegui abrir os olhos. Com a vista embaçada e doendo com a claridade, eu fui aos poucos me situando de onde estava. Não era mais na casa da Manuela. 

– Graças a Deus, você acordou! – A voz da Isabel me pareceu alta demais, e doeu meus ouvidos. 

Olhei ao redor e confirmei minhas suspeitas: era um hospital. 

– O que aconteceu? – Murmurei, com um pouco de dificuldade. 

Minha amiga apareceu do meu lado e me abraçou. 

– Eu achei que você tivesse morrido. – A palavra morte me fez recordar do pesadelo da noite anterior, e senti o medo voltar. Fechei os olhos bem forte, tentando apagar a cena, mas não precisei de muito esforço: senti um leve calafrio nos meus braços e um toque forte na minha mão direita. O Trix estava ali. Tentei me lembrar que eu podia ficar tranquila que ele cuidaria de mim. 

– O que aconteceu? – Repeti a pergunta, em uma tentativa de afastar a sensação de pânico que ameaçava se instalar no meu peito. 

– É mais fácil você me dizer do que você lembra. – A Isabel disse, se afastando de mim e se instalando em um banquinho que tinha do lado da cama. 

Discorri os fatos da noite anterior, a partir da morte do meu pai, até o encontro com o meu irmão, ocultando a parte que ele confessou ser um assassino. Então, um pensamento me ocorreu: o Artur poderia está morto. Eu não conseguia me lembrar do porquê estava pensando aquilo, mas tinha a sensação de que algo tinha acontecido com ele. 

– Cadê o Artur? – Minha voz saiu histérica. 

Minha amiga encarou minha barriga e ficou levemente pálida, antes de sussurrar que ele estava bem, 

– Está internado em um quarto no andar de cima. – Acrescentou. 

– O que aconteceu com ele? – Forcei minha mente a me lembrar, mas eu não conseguia. Era como se faltasse uma peça em um quebra cabeça. Eu sabia que alguma coisa tinha estimulado o meu desmaio, mas não sabia o quê. 

– Amiga… – A voz da Isabel estava trêmula, ela parecia prestes a chorar. – É melhor sua mãe conversar com você depois…. 

– Fala agora, Isabel! – Ordenei usando a voz mais autoritária que eu conseguia. 

– Amiga… – Ela não me olhava, e eu sabia que isso não era bom. Como uma perfeita aspirante a psicóloga, a Isabel prezava um contato visual. 

– Fala!!! 

– Seu irmão publicou uma foto no Instagram dizendo que tinha …. – Antes mesmo dela terminar, eu já sabia a conclusão. – Envenenado seu pai. 

Foi então que a peça que faltava na minha mente se encaixou. Ele tinha atirado em si próprio, por isso eu desmaiei. Achei que ele ia se matar, e ia mesmo, afinal de contas além de ter envenenado nosso pai, o Artur tinha espalhado isso para o mundo. A desgraça estava feita. E naquele momento eu quis mais do que tudo, que o tiro tivesse sido em mim. 

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