Meu anjo da guarda

Meu anjo da guarda – Capítulo 16

Meu pai nem sempre foi ruim, ele teve seus momentos, poucos, mas teve. Eu quase não me recordo dos detalhes, só sei que aconteciam no jantar de Natal e que eu me sentia muito feliz e saltitante ao receber sua atenção. 

Flashs das cenas de abertura dos presentes começaram a vim na minha mente e isso fez meu coração apertar. Não podíamos voltar no tempo e congelar aqueles dias? Se nossas vidas se ressumisem a jantares de Natal, talvez eu fosse capaz de amar meu pai.

Sentei na calçada do cemitério e fiquei observando as pessoas começarem a se afastar. Algumas choravam outras conversavam como se tivessem saindo de um restaurante. Após o enterro total do corpo, todos simplesmente voltavam a viver suas vidas. Quem perdia era quem estava debaixo da terra. 

Odiei todos que estavam ali. Ninguém amava meu pai de verdade, nem mesmo minha mãe, então porque tinham ido? Por educação? Eu não queria ninguém no meu enterro por se sentir obrigado, queria pessoas que me amassem de verdade, só que era aí que estava o problema, quem era capaz de me amar?

As pessoas só conheciam a Gabriela que eu queria que conhecessem, e esta era fútil e superficial. Uma tristeza me abateu com essa constatação. Será que ao menos uma lágrima de minha mãe seria verdadeira, caso eu viesse a faltar? Será que o Artur ia sentir de verdade minha falta ou esqueceria da irmã assim que ela fosse enterrada? E a Isabel, quanto tempo levaria para me substituir? Será que meus seguidores deixariam mensagens carinhosas ou agradeceriam minha morte?  E meus amigos da escola, ao menos apareceriam no enterro? Eu não merecia que ninguém chorasse por mim, eu mesma não tinha chorado por meu pai, isso só mostra o quanto sou podre por dentro e ninguém sabe. 

Nenhum ser humano é capaz de conhecer o outro de verdade, as pessoas só vêem aquilo que mostramos, e ninguém faz propaganda ruim de si mesmo. Por um momento o ódio que eu sentia da minha vida foi transferido para o outro. Porque o ser humano podia ser tão falso? Porque derramavam lágrimas por quem não conheciam? Porque eram tão polidos por fora e tão podres por dentro? 

– Vamos? – O Artur apareceu do meu lado, me fazendo dá um pulo de susto. 

– Onde você tava? – Quase gritei. 

– Fui dá uma volta, vamos logo. 

Quem dava volta em cemitério? 

Ele estendeu a mão e eu aceitei a ajuda para levantar. 

– Pedi um Uber, a mamãe mandou uma mensagem e disse que ia direto pra delegacia, mandou a gente ir pra casa e não sair pra nada. 

– O que ela vai fazer lá?

– Interrogatório…

– Sobre você?

– Não sei. Vamos, o carro chegou. 

Entramos no Uber sem olhar pra trás, mas de canto de olho eu vi quando um fotógrafo nos flagrou indo embora juntos, a manchete já estava feita. 

Chegamos em casa e já eram quase 18 horas. O Artur foi direto pro quarto e eu pra cozinha, estava varada de fome, a última comida de verdade que eu tinha colocado na boca tinha sido o sanduíche. Encontrei a Cristina no fogão, fazendo uma sopa. 

– Arrumou meu quarto? – Disparei, eu não queria ser interrogada pela empregada sobre o enterro. 

– Sim. – Ela me encarou e eu vi que tinha milhões de perguntas a fazer, mas como sempre fora discreta e esperta, entendeu meu olhar e continuou calada. 

– Estou morrendo de fome, vou tomar um banho e volto. 

Não demorei no banho e como minhas roupas já estavam no lugar achei o que vestir com facilidade. Tirei as fotos de dentro da bolsa e coloquei em uma necessaire vazia. Levei comigo pra cozinha e só depois de já ter tirado o vazio do estômago comecei a perceber que estava estranhamente ansiosa pra encontrar com o Mateus.

Fiquei me perguntando o que ele iria me pedir em troca, quais ameaças faria…Nem tive tempo de formular respostas. O interfone tocou e meu coração acelerou. 

– É um garoto chamado Mateus, disse que é seu amigo. – Anunciou. 

– Manda o porteiro deixar ele entrar, mas não subir. 

– Ok. 

– Cristina, leva alguma coisa pro Artur comer, ele não disse, mas deve tá morto de fome. – Gritei já abrindo a porta. 

Quando cheguei lá embaixo, não demorei para ver o Mateus. Ele estava sentado em uns banquinhos que ficam perto do parquinho e olhava pro céu. Apesar da expressão leve, seu corpo parecia pesado e cansado. O cabelo meio molhado, a bermuda e a sandália havaiana deixavam claro que ele tinha apenas tomado um banho rápido quando saiu do IML. 

Apesar da raiva que eu sentia dele, não podia negar sua beleza. Seu cabelo meio bagunçado me fazia ter vontade de passar as mãos nele e deixar mais desgrenhados ainda. Os músculos dos braços eram um convite para imaginar o que tinha por baixo da camisa, e quando ele parou de olhar pro céu e me viu o observando, eu não tive vergonha, pelo contrário, me peguei imaginando como seria ter aquela boca perfeitamente desenhada e levemente carnuda me beijando. 

Quando seus olhos castanhos encontraram os meus, eu suspirei. Meu corpo estremeceu e eu quis muito me perder naquele olhar. 

– Vai ficar parada aí quanto tempo? – Fiquei irritada por ter sido arrancada dos meus devaneios, mas disfarcei bem. Sua voz não tinha um traço de vaidade, pelo contrário, ele pareceu constrangido por ser observado. 

Ele arregalou os olhos quando viu meu rosto mais de perto. 

– Eu soube do assalto, mas não sabia que tinha sido tanto. – Veio correndo em minha direção e automaticamente me afastei um pouco. – Você tá bem? Foi no médico? – Sua preocupação parecia sincera e isso causou uma pontada de dor no meu coração. 

– Eu tô bem, já prestei queixa e pegaram eles. – Menti, não queria ser tentada a contar a verdade, não pra ele. 

– Mas Gabriela, tá muito machucado. – Pela primeira desde que o conheci, vi raiva em seu olhar. – Estranhamente me senti confortada por isso, me perguntando se seria possível que ele se importasse comigo de verdade. Afastei o pensamento e mudei de assunto. 

– Cadê a foto? 

– Vai querer conversar aqui? – Devolveu contrariado e ainda analisando meu rosto. 

– Vamos. – Senti raiva dele e a cada passo que eu dava meus pensamentos eram bem diferentes dos que permeavam minha mente segundos antes. Fiquei imaginando como me livrar dele, sem ceder as suas exigências. 

Pra nossa sorte o espaço de leitura estava vazio. Entramos e nos sentamos em uma mesa que ficava no meio da sala. Apesar das portas serem de vidro e ali ter câmeras, eu sabia que podíamos conversar à vontade, ninguém nos ouviria. Como era um lugar pra ler, quem construiu teve o bom senso de evitar sons externos. 

– Vamos direto ao ponto: eu preciso da foto, me fala logo o que você quer pra me devolver. 

– Eu não quero nada. – Declarou, com uma voz firme e olhando fundo nos meus olhos. – Quer dizer, nada do que você está pensando. 

– Estou confusa.

– Eu quero que você me explique o que significa isso. – Colocou a foto em cima da mesa, mas não soltou. Eu não olhei, não queria ver a imagem e expressar na frente dele o que ela me causava. 

– Não sei. – Confessei, devolvendo o olhar e a voz firme, para deixar claro que eu era sincera. – Como você pegou do meu bolso?

– Quando você levantou pra ir embora caiu. Eu só vi quando fiz o mesmo, tava em cima da cadeira da lanchonete. – Por um instante, agradeci mentalmente por ele ter encontrado, se fosse outra pessoa poderia ter ido direto pra polícia ou pra mídia, sem nem me dá a chance de barganhar. – Foi isso o que você encontrou na casa da Manuela? 

Assenti, sem querer responder de fato, já que não tinha sido só aquilo. Era difícil mentir pra aqueles olhos questionadores e profundos. 

– Foi só isso, Gabriela? – Ele deve ter percebido minha hesitação, por isso insistiu. 

– Sim e o quarto. Por falar nisso, como os pais dela reagiram? – Perguntei não por interesse real, mas sim, desesperada para mudar de assunto. 

– Da pior maneira possível, – disse com um suspiro pesado e a voz cansada. – Minha tia só chora e meu tio é a raiva em pessoa, gritando aos 4 cantos que alguém fez isso com a filha. – Ele não me olhou quando disse essa última parte, e isso não passou despercebido. 

– Ele acha que foi quem? – A resposta começava a se formar em minha cabeça. 

Ele hesitou e eu insisti. 

– Quem ele acha que matou a Manuela? Não foi provado que ela se matou?

– Ainda estão estudando o corpo para saber se ela se matou mesmo… 

– Quem o Leonardo está acusando? – Minha voz ficava impaciente a cada pergunta, mas ele não cedeu. 

– Gabriela, eu não vim aqui para falar dos problemas da minha família, vim para falarmos dessa foto, que deveria está nas mãos da polícia, não nas suas. – O tom de reprovação me irritou e eu avaliei a possibilidade de arrancar a foto das mãos dele e sair correndo dali. 

– Podemos falar da minha família, mas não da sua? 

– Não é isso, só acho que não devemos perder o foco. 

– Me diz logo o que você quer em troca. – Ordenei. 

– Eu já falei que não quero nada! Só me fala o que isso significa!

– Eu não sei, seu imbecil – Seus olhos ficaram estreitos com a ofensa, mas não me arrependi. – Eu encontrei essas malditas fotos lá, não sei de onde saíram! 

– Fotos? São mais de uma? – Perguntou pausadamente. A raiva era tanta que não liguei quando tirei do plural e falei no singular. – Gabriela, cadê as outras? 

Não respondi, baixei os olhos pra mesa, eu parecia prestes a chorar. 

– Gabriela, quem tá nas outras fotos? Seu pai? – Sua voz parecia mais irritada diante do meu silêncio, mas eu simplesmente não podia falar, eu não conseguia. – Isso tinha que tá com a polícia! Por que você não me responde? 

Por impulso puxei discretamente a necessaire para mais perto de mim, o que foi suficiente para ele deduzir o óbvio. 

– Estão aí dentro, né? Gabriela, me deixa ver isso! – Tentou pegar a bolsa e eu puxei pro meu peito. Sua mão se afastou, mas ele continuou insistindo. – Gabriela, você precisa confiar em mim, eu não quero te chantagear com nada! 

– Mas quer entregar pra polícia! Isso vai destruir minha família! 

– Gabriela, sua família já está destruída, ela precisa ser reconstruída. – Sua voz doce e suave ao falar isso doeu mais do que as palavras em si. Ele resumiu minha vida em apenas uma frase, e aquela verdade estampada na minha cara por alguém que eu mal conhecia, ligou uma torneira no meu coração e eu simplesmente comecei a chorar. 

Me levantei. Eu não podia ficar ali, não queria que ninguém me visse chorando, muito menos ele, o culpado por desencadear aquela enxurrada de emoções em mim. Mas ele foi mais rápido e se colocou em pé do lado da mesa, bloqueando minha passagem.

– Ei, não vai embora assim, senta, por favor. – Falou tão baixo, que mais pareceu um sussurro. 

Eu não conseguia responder, os soluços não deixavam. Me afastei um pouco para passar por ele, mas sua mão tocou meu braço e me segurou levemente. 

– Por favor, senta. – Eu me deixei ser guiada por seu braço e voltei a sentar. Dessa vez ele sentou do meu lado e sua presença tão próxima me causava uma sensação de proteção. 

– Você quer água? 

Fiz que não com a cabeça, eu não queria nada além de parar de chorar e ouvir suas desculpas. Ele não tinha o direito de falar da minha família daquele jeito, fazia menos de uma semana que eu o conhecia. Foi então que um pensamento surgiu, talvez sua mãe tivesse contado pra ele como a minha era. 

– Gabi, pra tudo tem jeito, não importa o quanto as coisas estejam ruins, elas sempre podem se consertar. – Ignorei o apelido, meu único foco era em controlar aquelas lágrimas. 

– Eu… – Comecei gaguejando, mas continuei, eu sabia que a raiva seria a única saída de escape para controlar as emoções. – Eu… t…te odeio… 

– Porque? – Mesmo sem olhar pra ele, senti seu susto com minha revelação. – O que eu fiz? Eu só quero te ajudar, Gabriela.

– Porque, Mateus? – Cuspi as palavras em seu rosto, mas ele não se afastou um centímetro. – Ninguém nesse mundo quer ajudar ninguém, você não é diferente! E daí se você me ajudou a fugir da imprensa? E daí se eu encontrei o corpo da sua prima com você? Não importa, nada é sincero, e você não é a exceção.

Ao invés de raiva, vi em seus olhos compaixão e calor. Duas emoções tão distintas, mas que pareciam cair muito bem nele. Isso despertou minha ira.

– Você tá vendo meu rosto? – Gritei, sem me preocupar se o som ia sair lá fora. – Foi minha mãe! Minha própria mãe fez isso comigo e depois me obrigou a mentir pra todo mundo! – Sua expressão assustada me dava mais determinação. – Nada pode ser consertado, Mateus! Nada! Tudo no mundo é falso, minha mãe é falsa, meu pai era falso, minha vida é uma mentira! Você tá certo, minha família está destruída, mas não é você que vai nos ajeitar, porque não tem conserto, já nascemos quebrados! 

Eu suava frio, dizer a verdade assim pra alguém exigia um esforço muito grande, mas era também reconfortante. Era uma pessoa a menos pra fingir. Sustei seu olhar e fiquei esperando a enxurrada de críticas que deveriam sair de seus lábios, mas ao invés disso, o Mateus enxugou uma lágrima teimosa do meu rosto, colocou a mão sobre a minha e apertou. 

Olhei pra sua mão em cima da minha e quis gritar para que se afastasse, seu toque me queimava, despertava em mim um fogo que eu não sabia existir. Mas não consegui. 

– Eu juro que não sei de onde surgiram as fotos. – Confessei, com a voz mais natural do que planejei. 

– As outras também são do seu pai? – Me perguntou tirando a mão de cima da minha e colocando no bolso, pegou a foto e colocou virada em cima da mesa.

Peguei a bolsinha e tirei as outras, fazendo a mesma coisa. Com as mãos tremendo, deixei todas expostas, inclusive as do meu pai. 

Olhamos juntos aquelas imagens e o clima se tornou pesado. Eu nunca tinha visto nada igual, nem nos piores documentários de crimes que já assisti. 

Ao todo eram 7 fotos, em cada uma um homem – todos da idade do meu pai, uns 47 anos – estuprava uma criança. Em seis as meninas dormiam em cima da cama, visivelmente drogadas. Na outra, a pior, na minha opinião, a garotinha chorava enquanto um velho fazia sexo anal nela. A menina estava deitada de bruços e tinha o rosto virado pra câmera. Lágrimas escorriam por sua face e o rosto do sujeito revelava Santiago Ferri. 

– Eu não consigo olhar pra isso. – O Mateus soltou, virando o rosto pro outro lado. Eu sabia como se sentia. Era assustador vê aquilo, ele estava tão verde quanto eu estaria caso não tivesse o rosto todo vermelho e roxo. 

Eu suspirei e fechei os olhos, também não queria ver aqueles monstros e muito menos olhar pro meu pai no meio deles. 

O Mateus juntou as fotos e jogou todas dentro da minha necessaire, quando acabou disse: 

– Precisamos entregar isso pra polícia, Gabriela. – Sua voz era pesada e carregada de raiva. 

– Não posso, Mateus. – Sem encará-lo, eu sentia vergonha de mim por dizer aquilo.

– Porque? Não faz sentido, isso é crime! – Era a vez dele de gritar e eu quase mandei que falasse baixo comigo, mas lembrei que estava com a razão. 

– Você não entende… 

– Pois me explique. – Ordenou. – De preferência, agora. – Acrescentou. 

Respirei fundo e comecei a remexer as minhas mãos. Ele não entenderia, mas eu podia tentar, não? Pensei em explicar que queria me vingar dos meus pais e que só poderia fazer isso se soubesse o que aquelas imagens significavam. 

– Gabriela. – Chamou com a voz impaciente e autoritária. 

– Eu não posso, Mateus, desculpa, eu não posso. 

– Você pode, só não quer. Se você não me explicar, vou pra polícia agora. – Algo em sua ameaça, ficava explícito que ele ia na polícia de qualquer jeito. 

– Eu acho que tá acontecendo alguma coisa! Acho que meu irmão tá mentindo e não matou meu pai, acho que tem alguma coisa muito errada na minha família e eu não faço ideia do que pode ser! – Vomitei, ainda sem encará-lo. 

– Não é a polícia que tem que descobrir isso, Gabriela? 

– Minha mãe me mataria se eu entregasse essa foto pra eles. Ela me deu uma surra só porque eu postei um storys na festa. Ela queria me matar, Mateus. – Acrescentei com uma voz chorosa e cheia de mágoa. 

Ele parecia avaliar minhas palavras. Uma guerra devia está sendo travada em sua mente. 

– Se eu te ajudar a descobrir o que está acontecendo, você promete que levamos pra polícia? 

Eu não queria a ajuda dele, mas não tinha escolha. 

– Não se preocupe, eu tenho interesse em dizer pro mundo inteiro o que quer que esteja acontecendo. – Prometi. 

Ficamos em silêncio por alguns minutos, e eu não me senti mal. Algo dentro de mim dizia que eu tinha feito a coisa certa. Não que eu confiasse no Mateus, mas que escolha eu tinha? Se não aceitasse sua ajuda, ele ia entregar tudo, e minha família seria destruída, mas não por mim. 

Sentia olhar do Mateus me analisando e isso não foi ruim. 

– Eu ia pro enterro do seu pai, mas meus tios chegaram… – Ele parecia está se justificando. 

– Nem eu queria ir, não precisa se justificar. – Porque ele estava fazendo aquilo? Não podia falar como se fosse meu amigo, isso fazia meu estômago embrulhar e de um jeito bom. – Por onde você acha que devemos começar? Eu não faço ideia. – Mudei de assunto, não queria falar sobre o velório, era doloroso, por algum motivo. 

Senti ele abrir a boca para falar alguma coisa, mas foi impedido pela Isabel que entrou de uma vez e veio direto em nossa direção, os olhos pareciam soltar fogo, e eu sabia que seu foco era eu.

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