Meu anjo da guarda

Meu anjo da guarda – Capítulo 17

– O Vitor está louco com o que aconteceu ontem, o que deu em você? – Minha amiga veio andando em nossa direção e sentou na cadeira à minha frente, ignorando completamente meu rosto machucado. Antes dela se aproximar totalmente eu juntei as fotos. – Ah! Oi Mateus. – Disse, como se só tivesse notado a presença dele agora. 

– Olá, Isabel. – Ele disse, parecendo envergonhado. 

– Amiga, eu te mandei mensagem… – Falei, compreendendo o motivo de sua raiva. Eu conhecia a Isabel tempo o suficiente para saber que ela odiava ser deixada de lado. Me vê ali desabafando com o Mateus ao invés dela era um erro colossal. 

– Eu vi, e respondi, te liguei várias vezes, inclusive. 

– Acho que deixei o celular em casa. 

– Eu já vou indo. – O Mateus anunciou e se levantou. 

– Ah não, que isso, eu que atrapalhei, pode ficar, eu já vou. – A Isabel também se levantou, fazendo birra. 

– Nós já tínhamos terminado a conversa, amiga, você não atrapalhou nada. – Falei, encarando o Mateus e suplicando em silêncio que ele não comentasse nada sobre o assunto. 

– Boa noite para vocês duas! – Ele disse e saiu sem esperar nossa resposta. 

Fiquei observando seus passos rápidos, como se estivesse desesperado para sair dali.

– Vocês estão bem íntimos, né. Agora eu sei porque você surtou com o Vitor. 

– Não é nada do que você está pensando… 

– Não? Porque você parecia contar grandes segredos pra ele.  

– Você está exagerando, estávamos falando justamente sobre o irmão dele, quando podemos marcar pra sair todo mundo… – Menti.

– Jura, Gabriela? E quando será essa grande saída, porque se você não sabe, eu mesma já consegui marcar um encontro com o irmão dele, sem precisar da sua ajuda.  

Fiquei boquiaberta. A Isabel sempre me surpreendia com sua rapidez para agarrar algum garoto. 

– Amiga, ele só veio aqui para conversar sobre a Manuela, só isso. – Falei a primeira coisa que veio na minha mente, já sabendo que ela não iria acreditar. 

Ela avaliava minha expressão. 

– Já que vocês estão meio amigos… – Começou com um meio sorriso e eu sabia que já tinha acreditado em mim e me perdoado. – Tenta descobrir do que o irmão dele gosta. 

– E eu já não estou fazendo isso? – Perguntei, fingindo animação. 

A Isabel deu pulinhos de alegria com minha resposta e só então pareceu notar meu rosto (fiquei, mais uma vez impressionada, com a capacidade da Isabel de se deixar enganar fácil). Começou a fazer mil perguntas do que realmente tinha acontecido, já que eu estava com ela na noite anterior e ela sabia que o assalto era mentira. 

Contei a verdade e ela ficou abismada, venerava minha mãe e queria ser como ela um dia. Destruir esse ideal já era o começo para denegrir a imagem de perfeição de Rosemary Ferri. Minha amiga era a primeira pessoa que tinha que ficar contra ela. 

Depois de me fazer jurar umas mil vezes que minha mãe que tinha feito aquilo e de responder mais mil que não conseguia acreditar, lembrou o que foi fazer na minha casa. 

– Desculpa por não ter aparecido no enterro, meu pai não me deixou ir, depois do estado que cheguei ontem. 

– Só te perdoo se você dormir aqui em casa hoje. – Anuncie com  um ar divertido, mas a verdade era que eu não queria encontrar minha mãe sozinha. 

– Claro que sim, amiga! Vou só avisar ao meu pai. – Respirei aliviada com a resposta positiva dela, mas tive medo do Eduardo barrar. Por sorte, quando ela ligou pra ele, descobriu que o pai já tinha precisado viajar de última hora pela terceira vez naquele mês.

Quando subimos para o apartamento  descobrir que minha mãe ainda não tinha voltado da rua e comecei a ficar preocupada com o que poderia ter acontecido na delegacia. Tive medo de as coisas terem se complicado de verdade para o Artur, pensei em ligar pra ela, mas antes de fazer isso a Cristina comunicou seu recado:

– Dona Rosemary ligou e disse que vai chegar mais tarde, precisou ir na casa dos senhor Leonardo. 

Aquela informação aumentou minha inquietação. Pela reação do Mateus eu desconfiava que o Leonardo estava acusando o Artur de ter matado a Manuela, porém tive que engolir todas as preocupações e fingir que estava tudo bem, já que eu não queria que a Isabel soubesse das minhas desconfianças e meus planos. 

Não que eu não confiasse na minha melhor amiga, mas é que se tratava do futuro e de segredos da minha família, quanto menos gente soubesse, melhor. 

Minha amiga, alto astral como sempre, conseguiu me distrair. Assistimos um filme de comédia romântica na Netflix enquanto ela passava gelo e creme no meu rosto. Depois conversamos sobre o que nossos amigos da escola andavam fazendo nas férias e falamos do Vitor também. Expliquei que minha insatisfação tinha sido porque ele foi rápido demais, e ela ficou do meu lado, prometendo dá um toque nele pra ser mais paciente da próxima vez. 

Tive vontade de dizer que não teria uma próxima vez, mas me calei, não queria que ela ficasse perguntando o porquê, já que eu não saberia responder. 

Fomos dormir quase uma hora da manhã e minha mãe ainda não tinha chegado. Quando já estávamos deitadas, ouvi o Artur saindo do quarto e ligando pra ela. Não consegui ouvir a conversa e também não tive forças para me levantar, o cansaço me dominava e em menos de um minuto eu peguei no sono. 

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