Meu anjo da guarda

Meu anjo da guarda – Capítulo 21

Combinamos de nos encontrar no dia seguinte para ir até à Art’Ferri e fazer uma visita ao escritório do meu pai. Fomos embora no meu Uber e eu tive a sensação que o Mateus ainda estava irritado com minha postagem. Não aguentei ficar com a língua entre os dentes. 

 

– Você não entende, é uma forma de me distrair dos problemas. – Justifiquei. 

 

– É o jeito errado, Gabriela. – Afirmou, olhando para a paisagem na rua. 

 

– Quem é você para dizer o que é certo ou errado? – Percebi que o motorista baixou o volume do carro para ficar mais fácil de se concentrar em nossa conversa, como retaliação baixei o tom de voz. 

 

– Sou seu amigo. – Ele falou mais baixou do que eu, e aquilo foi o suficiente para achar sua voz sedutora. Respirei fundo, impactada pela constatação e tentei manter a compostura. 

 

– Nos conhecemos há poucos dias, Mateus, você não pode ser nada meu. 

 

– E quem são seu amigos, então? Seus seguidores? – Seu tom não era de crítica, mas de pena e isso doeu. 

 

– Você fala de mim, mas também tem instagram. – Acusei, na defensiva. 

 

– Mas não faço dele a base da minha vida. 

 

– Nem eu. – Minha voz era tão falha que até o motorista sabia que eu mentia. 

 

– Gabi, essas pessoas não te conhecem, não sabem quem você é de verdade. – Senti uma leve aproximação do seu rosto com o meu e meu coração acelerou. – Eu não quero te ajudar só a descobrir a verdade sobre tudo isso, eu quero ser seu amigo. 

 

– Eu não preciso de amigos, Mateus, e assim que acabar essa merda, quero que você suma da minha vida! – De repente um ódio contra ele se instalou em mim. Quem o Mateus pensava que era para dizer aquelas coisas sobre mim? Ele não me conhecia, não tinha esse direito. 

 

Me afastei bruscamente dele e voltei minha atenção para a janela, desejando chegar em casa o mais rápido possível. 

 

Quando chegou em frente ao meu condomínio, saltei do carro sem olhar pra trás, mas ainda ouvi quando o Mateus abriu a janela e disse:

 

– Quem acha que não precisa, é o que mais necessita. 

 

A raiva aumentou e sai dali bufando. 

 

Assim que cheguei em casa fui direto pro meu quarto, e a Cristina veio perguntar se eu queria comer alguma coisa. 

 

– Tô sem fome! – Gritei pra porta fechada. 

 

– A senhora Rosemary e o Artur também, se precisar de alguma coisa pode me chamar, estarei no meu quarto. 

 

Para onde aqueles malditos tinham ido? Eu não queria ficar sozinha em casa e não podia entender como meu irmão ia cair na candaia no dia em que enterrou a namorada. 

 

Amaldiçoei os dois e desejei que eu tivesse nascido em uma outra família. De repente, na solidão do meu quarto e com a cara enfiada no travesseiro tentando sufocar o ódio, eu tive uma ideia. 

 

Fechei a porta do quarto com cuidado, para não atrair a atenção da Cristina e comecei a agradecer por está sozinha. Quando entrei no quarto do meu pai, tive certeza que deveria ter feito isso antes. 

 

Fui direto ao seu closet, me perguntando se ele teria a mesma ideia estúpida da minha mãe de não guardar coisas importantes em um lugar mais secreto, porém meu pai era esperto. Nada tinha ali – pelo menos levando em consideração que eu não sabia o que estava procurando. 

 

Voltei para o quarto e resolvi olhar nas gavetas do criado mudo e também não achei nada, além de papéis de rascunho com telefones de clientes. 

 

Já estava quase desistindo quando meu amigo resolveu ajudar. Tomei um susto com sua voz acabando com o silêncio, mas não reclamei. 

 

“Olha na armário do banheiro, amiguinha.”

 

Obedecendo Trix como uma marionete, andei até o banheiro com o coração acelerado e pedindo a deus que não fosse nada demais, que “por favor, seja algo que eu possa suportar.”

 

Quando abri o armário eu soube, mas uma vez que minhas preces não tinha sido atendidas e meu amigo imaginário tinha me guiado para mais algum segredo obscuro sobre minha família.

 

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