Meu anjo da guarda

Meu anjo da guarda – Capítulo 28

Pronto, aquilo foi o fim da picada pra mim.  Meu pai era aidético, além de pedófilo e psicopata. 

 

A mulher continuou gritando, mas eu não conseguia ouvir mais nada. Me afastei do Mateus e coloquei as mãos nos meus ouvidos, eu queria parar de ouvir todos aqueles absurdos. Porque aquelas acusações eram isso: absurdos, né? 

 

– Cala a boca!!!!!!!!!! 

 

– Gabriela, fica calma…. – Senti a braço do Mateus me envolvendo, e no mesmo instante eu consegui ao menos voltar a respirar. – É melhor nós irmos embora. 

 

– Não, eu quero saber! – Consegui dizer em meio ao ataque de pânico.  – Você tá fazendo isso por dinheiro? – O olhar que a mulher me lançou e o salto que o Mateus deu pra longe de mim, me fizeram saber que eu tinha dito a coisa errada. 

 

– Você é igual a ele! Some daqui!!!!! – Aquilo doeu mais do que qualquer outra coisa que eu tinha ouvido. 

 

– Vem, Gabriela, vamos embora! – O Mateus me puxou pelo braço sem me dar tempo para protestar. 

 

No corredor alguns enfermeiros se aproximavam do quarto e ficaram nos olhando desconfiados, mas conseguimos passar. Provavelmente ataques daquele tipo eram frequentes em um hospital pra loucos. 

 

– A maluca é a mãe, não a filha! – Gritei quando já estávamos fora daquele hospício. 

 

– Eu acho que você que enlouqueceu, Gabriela! Como você diz que uma mãe em uma situação dessas quer dinheiro? Nem todo mundo é materialista como sua família! – Ele não gritava, mas era melhor se fizesse isso. Seu tom era mais cortante do que uma faca. 

 

– Você não viu? Ela inventou tudo aquilo sobre o meu pai! 

 

– Você mesma viu as fotos, Gabriela! Isso só comprova o que já sabíamos! 

 

– É mentira, Mateus! É mentira!!!!! – Eu estava histérica e ele parecia confuso, sem saber o que fazer para me controlar. – Meu pai não fez nada disso! 

 

Sem que eu permitisse, lágrimas e soluções começaram a sair. O Mateus se aproximou e eu o empurrei. 

 

– Você é igual a ela, um mentiroso! Eu te odeio!!!!!!!! 

 

– Gabriela, você precisa me ouvir! – Ele tentou me segurar pelo braço mais eu me desvencilhei, sentindo meu sangue ferver com o toque. 

 

– Você que precisa escutar, Mateus: foi você quem me trouxe aqui, foi você que me incentivou a fazer essas investigações e eu te odeio por isso. Saiba que eu quero que você morra igual a maluca da sua prima! 

 

Seu semblante ficou vermelho na mesma hora que eu proferir aquelas palavras, mas ele não disse nada, apenas ficou me encarando, com os olhos refletindo mágoa. 

 

Peguei meu celular para pedir um Uber e deu as costas pra ele. Dez minutos depois o carro chegou e antes que eu entrasse, ele segurou meu braço e me me forçou a olhá-lo. 

 

– Eu nunca te obriguei a nada e jamais faria isso, por isso, a partir de agora, Gabriela, eu não te procuro mais pra nada, nem pra dizer um oi. Se você precisar de mim, não me procure, não sou eu quem pode te salvar, só Deus. Se quiser, fale com Ele, mas não por intermédio meu. 

 

Quando ele terminou de falar eu estava sem ar. Senti uma necessidade súbita de pedir desculpas, mas meu orgulho foi mais forte. Engoli em seco, entrei no carro e fechei a porta. Em nenhum momento ele me olhou, nem quando eu fiquei o observando pelo retrovisor enquanto o carro se distanciava.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s