Meu anjo da guarda

Meu anjo da guarda – Capítulo 29

A partir daí tudo se passou como um borrão. Chorei a viagem inteira. O motorista chegou a me perguntar umas 3 vezes se eu precisava de ajuda, se eu queria ir à algum, mas eu ignorei e só supliquei que me deixasse em casa. 

 

Quando estávamos dobrando a esquina da minha casa minha ficha caiu: eu não podia chegar naquele estado. Se o Artur ou minha mãe estivessem lá, eu teria que me explicar, senão tivessem eu ficaria sozinha e a última pessoa que poderia me fazer companhia naquele momento era eu mesma. 

 

Pedi que o motorista me deixasse no único lugar que eu sabia que ia conseguir esquecer aquilo tudo, pelo menos por algum momento: a casa do Vitor, meu único amigo que nunca negava fogo, muito menos droga. 

 

Mandei uma mensagem dizendo que estava chegando e ele me respondeu com vários emoticons sorrindo, sinal de que não tinha ninguém em casa, além dele. 

 

Antes de descer do carro, o motorista perguntou mais uma vez se eu não precisava mesmo de ajuda, me senti tão tocada por aquela preocupação de um desconhecido que agradeci com sinceridade e lhe dei 5 estrelas. 

 

O porteiro já sabia quem eu era e me deixou passar sem burocracias. No espelho do elevador vi o quanto minha cara estava destruída, o choro descontrolado de minutos antes tinha deixado ela mais acabada do que já estava. Torci para que o Vitor não ligasse pra isso. 

 

– A que devo a honra, gata? – Perguntou assim que abriu a porta, como se eu não tivesse o chutado algumas noites antes. 

 

– Seus pais voltam que horas? 

 

– Só amanhã, mas que cara é essa? Fizeram alguma coisa com você? 

 

– Não me pergunta, nada, pelo amor de Deus. – Supliquei, já entrando dentro do apartamento. – Só me passa a bebida, a droga e me beija. 

 

– Nem precisa pedir duas vezes! – Era por isso que eu gostava do Vitor. Diferente da Isabel, ele não me enchia de perguntas. Ele me ajudava do jeito dele e era o único que conseguia me fazer esquecer meus problemas. 

 

Depois de tomar duas doses do melhor uísque do pai dele e cheirar uma carreira de cocaína, eu passei as mãos pelos cabelos escuros e sedosos do Vitor e me perdi em sua boca. 

 

Menos de dez minutos depois já tínhamos acabado e eu não senti absolutamente nada. Diferente da noite na boate, minha excitação era zero, provavelmente a droga ainda não tinha feito efeito. Já o Vitor estava nas nuvens e eu resolvi fazer a única coisa que me restava para esquecer meus problemas, encher a cara. 

 

Bebemos até altas horas e lá pelas tantas eu peguei no sono. Acordei no outro dia com meu celular tocando e o barulho fazendo minha cabeça gritar de dor. 

 

– Atende essa merda, Gabriela…. – Murmurou um Vitor sonolento do meu lado. 

 

– Vou matar quem quer que seja…

 

– É a sua mãe, Gabriela, onde você tá? 

 

– No apartamento do Vítor, mãe…

 

– Venha pra casa agora. – A voz fez me despertou um pouco. 

 

– Qual o problema? 

 

– Eu quero dormir… – Joguei um travesseiro no rosto do Vitor e tentei me concentrar no que minha mãe dizia.  

 

– Seu irmão fugiu. 

 

Ela não precisou dizer mais nada. Desliguei o telefone e pulei do sofá. Sem me despedir do Vitor sai correndo. Não esperei o elevador, desci as escadas e já fui chamando o Uber, que graças a Deus estava a menos de 2 minutos. Era só o tempo de eu chegar lá em baixo. 

 

No caminho pra casa fiquei imaginando onde o Artur poderia ter se metido e o porque fugiria, já que dias antes estava assumindo aos 4 cantos do mundo que tinha matado o pai. Não encontrei nenhuma explicação plausível e torci para que minha mãe tivesse mais sorte do que eu. 

 

Engano meu. Quando cheguei em casa encontrei Rosemary Ferri sentada no sofá com uma arma apontada pra cabeça.

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