Meu anjo da guarda

Meu anjo da guarda – Capítulo 30

– Mãe!!!!!!! – Corri até ela apavorada e tomei a arma da sua mão. 

 

Minha mãe estava pálida e com os olhos inchados. Olhou pra mim como se eu fosse uma estranha, com certeza tinha bebido. – Você enlouqueceu de vez? – Joguei o revólver longe e ela pareceu não notar. 

 

Seu olhar vazio encarava a tv.

 

– Meu marido morreu… meu filho fugiu… – Começou a dizer mais pra si mesma do que pra mim. – Minha filha me odeia… Eu … – Soluçou antes de continuar. – Eu sou uma fra… fracassada. 

 

– Mãe, você tá bêbada, –  acusei – não sabe o que tá falando. Vamos deitar. – Tentei levantar ela do sofá, mas seu corpo era mais forte e determinado. Ela permaneceu grudada. 

 

– Você me perdoa, minha filha? – Ela colocou a mão no meu rosto e começou a me puxar pro seu lado. Tentei me sair, mas foi em vão, acabei sentando. 

 

– Mãe, vamos pro quarto, você precisa dormir…. – Eu estava de ressaca e preocupada com o Artur, ou seja, sem nenhuma paciência para o papo de bêbado da minha mãe. 

 

– Você não entende, a culpa é minha, Gabriela! Ele fugiu por minha causa!

 

– O que você fez, mãe? O que você falou pro Artur? – A histeria beirava minha voz. 

 

– Eu só disse que… – Ela gaguejou chorando. – Qu..que ia matar ele, já qu… – Mais soluços – Matou minha mãe. 

 

Eu travei. Ela não falava do Artur, mas do meu avô. Rapidamente reconheci a oportunidade de descobrir informações. 

 

– Você não tem culpa, mãe…. – Incentivei quando achei que a estava perdendo. 

 

– Tenho sim! Eu ameacei ele, disse que se não sumisse eu ia acabar com ele!! Mas, filha… – Mais choro. – Eu não fiz…não fiz nada. Você acredita em mim? 

 

Afirmei com a cabeça, fiquei com medo de contrariar e ela parar de falar. 

 

– Ele era um monstro… ma…mas eu nunca – soluços – Nunca faria nada contra ele. 

 

– E quem você acha que fez isso, mãe? – Perguntei, com cautela. 

 

Pela primeira vez desde que entrei ela me olhou de verdade. 

 

– Seu pai. – Sussurrou. A suspeita me pegou de surpresa, mas não me assustou. Depois de tudo o que eu tinha ouvido contra meu pai, aquilo não era nada. – Acho que seu irmão descobriu e se vingou. – Ela falava como se aquilo fosse um segredo. 

 

– Mas como o Artur ia descobrir isso? 

 

– Não sei… mas acho que foi isso. Só pode ter sido isso! – Ela precisa querer confirmar aquilo de qualquer jeito e eu assenti incrédula. 

 

Não fazia sentido. Nem eu nem o Artur tínhamos conhecido o Manoel, então porque meu irmão mataria meu pai para vingar a morte de um desconhecido? 

 

– Você não tá acreditando, né? – Questionou com um tom desesperado. 

 

– Não, mãe, acredito em você! – Me apressei  dizer. – Só estou chocada com tudo isso… 

 

– Você me perdoa? – Choramingou. 

 

– Pelo o que, mãe? Você não fez nada. – Afirmei, com medo dela parar de falar. 

 

– Eu te bati… – Disse tocando o meu rosto. – Eu te odiei. – Continuou, parecendo prestes a ter outra crise de choro a qualquer instante. – Eu tentei matar você… – As palavras dela eram como sal na ferida. Vê minha mãe tão vulnerável e falando tudo o que vinha na cabeça me dava pena e ao mesmo tempo me machucava. 

 

– Você não tentou me matar de verdade, mãe. – Ela tirou os olhos dos meus e olhou pro chão. Quando abriu a boca era melhor que não tivesse feito. 

 

– Tentei sim, eu quis te abortar, mas não consegui. – Revelou e eu segurei o ar. – Eu nunca te quis, Gabriela, nunca. – Voltou a me encarar e eu não consegui esconder o quanto suas palavras me afetavam. – Mas hoje eu sei que você não tem culpa. – Outro ataque de soluços e eu esperei alguns segundos para perguntar:

 

– Culpa de que? – Minha voz saiu em um sussurro. 

 

– Do seu pai ser um cafajestes. – Eu já ia perguntar o que isso tinha a ver com meu nascimento quando ela continuou: – Ele estava drogado quando concebemos você… ele… me forçou.

 

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