Meu anjo da guarda

Meu anjo da guarda – Capítulo 33

Eu tinha calculado certo. Comer me trouxe direção. Eu ia ter que agir com cautela e afogar todos os meus sentimentos. 

 

A primeira coisa que eu tinha que fazer era aceitar. Minha família era uma tragédia, eu era um acidente, um erro e meus pais eram monstros. Nem mesmo o Artur eu sabia se me amava de verdade, já que ele tinha tentado se matar, sem pensar duas vezes em me deixar só. 

 

A segunda coisa era voltar no Maya, ao menos lá eu tinha a pista mais próxima de quem meu pai era de verdade.

 

Já dentro do Uber, eu sentia meu corpo inteiro tremer. Era ruim ter que voltar àquele lugar sozinha. Minhas mãos estavam ficando geladas e meu coração acelerado. Eu precisava me acalmar e não fazia ideia de como fazer isso. Tentei táticas de Ioga, mas não funcionaram. Por fim, coloquei os fones de ouvido e a música alta o suficiente para calar meus pensamentos. 

 

Cheguei a cochilar e sonhei com o Trix. 

 

– Agora você aparece nos meus sonhos? – Questionei, intrigada com sua aparência mais leve e mais parecida com uma criança viva. 

 

– Ultimamente tem sido difícil chegar até você. 

 

– Percebi, te chamei e você me ignorou. – Eu não conseguia entender porque me sentia tão magoada por um ser imaginário ter se recusado a aparecer pra mim. Quando eu era mais nova, me assustava a dependência que eu parecia ter no Trix. Agora com tanta coisa acontecendo isso parecia está voltando. 

 

– Eu estava ocupado, Gabriela. Agora deixa eu falar logo, não tenho muito tempo. Você não pode ficar perto do Mateus. Ele vai atrapalhar seus planos de vingança e você tem ido muito bem. 

 

– Mais o que tem ele? Qual o problema, Trix? – Minha voz ficou histérica e ele arregalou os olhos com minha reação. 

 

– Ele não é confiável, Gabriela, acredite em mim. 

 

– O que você sabe??? – Gritei, mas fiquei sem resposta. Quando abri os olhos, o motorista me olhava assustado. Meu coração estava acelerado e eu suava frio.

 

– Tudo bem aí, moça? Você dormiu e acordou gritando. 

 

– Foi um pesadelo, chegamos?

 

Ele assentiu, parecendo pouco convencido com minha resposta. Saí do carro sem me despedir e repeti o mesmo procedimento para entrar do dia anterior. 

 

A mesma mulher veio me atender e parecia mais emburrada do que antes. Enquanto eu a seguia pelo jardim, me perguntava o que significava as palavras do Trix. Eu sabia que o Mateus era um chato, um cabeça dura convencido, mas chegar ao ponto de não ser confiável? 

 

– Você já sabe o caminho. – Disse a mulher, atrapalhando meus pensamentos. – Vê se não faz besteira, ela não sabe que deixei você entrar. 

 

– Porque você tá fazendo isso? – Questionei, surpresa. 

 

– Porque desde que você saiu ela não para de chorar. Agora vai. 

 

Obedeci sem questionar e tive vontade de chorar ao seguir por aquele corredor. Um dia antes eu não sabia o que esperar, estava com medo, mas tinha o Mateus do meu lado. Hoje eu estava mais preparada, porém o pânico era maior. Talvez por está só. 

 

Toquei a maçaneta e abri devagar, tomando o cuidado de não aparecer de uma vez e dá a chance da mulher gritar. 

 

Quando abri a porta toda fiquei paralisada. A mulher estava sentada em uma cadeira de frente para a janela e seus ombros balançavam como se estivesse chorando. Ao seu lado, o Mateus estava em pé, consolando-a. 

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