Meu anjo da guarda

Meu anjo da guarda – Capítulo 39

O Artur não tinha esquecido de mim. Meu irmão não tinha me deixado pra trás. Respirei fundo aliviada e por alguns instantes contemplei o sentimento de felicidade que estava sentindo. 

 

– O que é isso? – Olhei pro Mateus assustada, como se fosse óbvio, e só então lembrei que ele não sabia da história. 

 

– Quando eu e o Artur éramos pequenos e nossos pais saiam, nos deixando sozinhos, ficavámos chateados e pensávamos que eles não nos amavam, não se importavam. Então eu chorava até não poder mais. – Engoli em seco com a lembrança. Falar daquilo estava fazendo a alegria repentina ir embora. – O Artur, como um bom irmão, dizia pra eu me acalmar porque quando ele fosse grande ia me tirar de casa, e iríamos morar no Japão. – Não olhei pra vê se o Mateus me ouvia. Não me importava, só queria olhar pra foto. – A medida que íamos crescendo, passamos a pesquisar sobre o país, fazia a ideia parecer real e me dava uma perspectiva de um futuro bom.

 

– Porque o Japão? 

 

– Quando era menor, o Artur gostava de anime, coisas japonesas, então ele me sugeriu lá e eu topei. Não entendia muita coisa, só sabia que seria divertido fugir do país com meu irmão. Minha mente infantil via como uma grande aventura. 

 

– Você acha que ele tá lá? – A pergunta me surpreendeu e irritou. 

 

– O Artur nunca me deixaria pra trás. Se ele tivesse ido embora, teria me levado junto. 

 

– E porque ele deixou essa foto e o número de um telefone? – Ele parecia realmente confuso. 

 

– Se eu soubesse não estaria aqui na sua frente, mas meu palpite é que está planejando nossa fuga. – Respondi, sonhadora, e o Mateus franziu a testa. 

 

– Gabriela…

 

– Não começa, Mateus, estou de saco cheio de você, dos seus sermões e das suas ideias. O Artur está me mandando um recado, com certeza esse é o número de telefone que ele está usando. 

 

– Então liga. – Desafiou. – Você só vai saber se ligar. 

 

– Ok. 

 

Cheia de orgulho peguei meu celular e disquei o número. Meus dedos tremiam e quando alguém atendeu no terceiro toque não precisou falar de novo pra mim vê que não era o Artur. 

 

– Alô. – A voz estava abafada, como se a pessoa estivesse com um pano na boca para disfarçar, mas mesmo assim eu reconheci. 

 

– P..pa..p..pai? – Gaguejei, antes de sentir minha cabeça girar e tudo ameaçar ficar escuro.

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